Historinha de sexta

13 set • Historinha de sextaNenhum comentário em Historinha de sexta

A coisa toda começou no Restaurante Dona Maria, na rua José Montaury. Depois de molhar ideias e palavras, o grupo decidiu cambiar de horizontes e se deslocou para o início da rua Cristóvão Colombo. Na época, próximo à Barros Cassal quedavam 5 ou 6 pequenas boates. Nomes como Isidoro, Nega Teresa, Valdemar e um vago “Dos espanhóis” disputavam clientes inscritos no partido A Noite é Uma Criança.

Como sardinhas obedientes, a turma se aboletou nos bancos do luxuoso Ford Landau e aproaram a Cristóvão. Tanto o tanque do Ford quanto o dos ocupantes estava cheio. Um deles em particular já estava botando uísque pelo ladrão. Acender cigarro perto dele poderia causar uma explosão.

Foram despejados pelo Landau bem na frente do Isidoro, minúsculo. Quem não é o maior precisa ter um diferencial, no caso, uma porta de vaivém como nos saloons dos filmes de faroeste. Encostado no balcão, um cantor e só ele, sem nenhum músico a acompanhá-lo derramava seu canto no microfone como se Nelson Gonçalves fosse.

– Boemia, aqui me tens de regresso…

Pedaços da cantoria se esgueiravam porta a fora a cada vez que alguém saia ou entrava.

– Aqui me tens de regresso…

O do tanque mais cheio que os outros estava maravilhado.

– E suplicante te peço…

A segundos de perder a luta para a lei da gravidade e tentando manter o foco sem muito sucesso, abriu os braços e gritou:

– Champanhe pra orquestra!!!

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