• Somos todos biscachas

    Publicado por: • 17 jan • Publicado em: Caso do Dia

     Biscacha é uma espécie de lebre, um lebrão na verdade. Com uma cauda longa, é mais comum na Argentina e outros países andinos, inclusive no deserto do Atacama, no Chile. Houve tempo em que se acreditava que a espécie só era encontrada no país dos Hermanos ou na Suíça, como jurava meu amigo João Nadir. A palavra biscate teria derivado da lebre de rabo grande, mas não encontrei comprovação em minha limitada busca.

     Menos pela cauda e pelo tamanho, esse animal lustroso tem um hábito muito humano: ele furta coisas. Contam ruralistas argentinos que, nas tocas da biscacha, são encontrados brincos, colares, pequenos utensílios domésticos ou qualquer outro objeto que ela possa carregar com a boca. Isso transforma o animal em um larápio de primeira grandeza. Pelo menos ele não usa de violência, então só furta, não rouba.

     O que eu quero dizer é que se lebrão é amigo do alheio e esconde pertences furtados na sua toca, por que vocês acham que os humanos seriam diferentes?

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  • As rugas do Stallone

    Publicado por: • 17 jan • Publicado em: A Vida como ela foi

     De tempos em tempos, aparecem atores de cinema com o raro dom de desempenhar qualquer papel movendo apenas algumas rugas verticais e horizontais. Um deles, que sempre fazia o papel de bandido nos faroestes dos anos 1950/60, chamava-se Jack Palance. Só precisava da sua cara feia. Mais recentemente, apareceram dois notáveis, Sylvester Stallone e Nicolas Cage. Fenômenos de interpretação, ambos.

     Até que eu gosto do Stallone pelo conjunto da obra, em filmes que ele era um cara atormentado, injustiçado, soturno. Raras vezes ria. As rugas verticais no começo da testa, logo acima do nariz, tinham duas posições: positivo operante e standby. Quando acionadas, as rugas manifestavam tristeza, raiva, fúria entre outros; sem elas, podia ser qualquer coisa, inclusive alegria ou conformismo. O erguer do canto da boca ele herdou do Harrison Ford. É o modelo padrão americano de parecer malandro.

     Nicolas Cage é um pouco mais minimalista. As rugas na testa dele são horizontais. Traduziam uma gama enorme de emoções. Que iam desde preocupação, tristeza, revolta, emoção, um pouco mais que as do Stallone, com a desvantagem de não ter o canto da boca para cima. Os três davam a impressão de ter maus dentes ou não tê-los no canto oposto.

     O Oscar vai para os três. São poucos os gênios que conseguem desempenhar uma série de personagens só com rugas e canto da boca.

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  • Distinção  

    Publicado por: • 17 jan • Publicado em: Notas

    O gaúcho Balduíno Tschiedel assumiu como diretor-presidente da Federação Internacional de Diabetes da Região das Américas Central e do Sul.

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  •  Meu querido diário

    Publicado por: • 17 jan • Publicado em: Notas

     De uns dias para cá, tenho ouvido disparates sem conta. Não bastasse aquela vã tentativa de ironia do deputado Jair Bolsonaro, em que fala em comer gente com recursos públicos, agora me vem a dona Gleisi Hoffmann dizer que vai morrer gente se prenderem Lula. E olha que dona Gleisi é PRESIDENTA nacional do PT. Isso foi ontem.

     Cruz credo! Vou me embora para algum país vizinho de Pasárgada, talvez Persépolis, distante a menos de 100 Km da antiga cidade persa. Num gueto, como dizia o seu Elemar quando a coisa enroscava. SE vai enroscar dia 24? Querido diário, acho que nem Ele sabe a resposta. Coisas dos humanos são imponderáveis.

     O Bolsonaro parece que está sabotando ele mesmo. Há meses ouvi um desabafo dele, insinuando que não estava preparado para ser presidente, em outras palavras. Faz que vai mas não vai, entendeu?

     Diário querido, vamos ter que refazer o calendário de 2018. Quando da virada, escrevi que este ano teria três, do 1 de janeiro até o Carnaval, do Carnaval até a eleição e desta até o dia 31 de dezembro. Pois vou ter que acrescentar mais um estágio no foguete, entre o Ano Novo e o dia do julgamento do recurso do Lula, dia 24 deste mês.

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  • Então…

    Publicado por: • 17 jan • Publicado em: Notas

     …não falta muito para saber se vai ter furdunço ou vai sair tudo na mais santa paz, tipo a Batalha de Itararé, aquela que não houve.

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