• Não falem nele!

    Publicado por: • 17 ago • Publicado em: Caso do Dia, Notas

    O PT Nacional está pedindo aos militantes que não reproduzam os posts e matérias sobre Jair Bolsonaro. Está relacionado “ao algoritmo do facebook” que multiplica o alcance dos posts pelos nossos contatos, permitindo que eles alcancem gente fora das suas redes tradicionais. A indicação é inclusive de evitar digitar o nome para que não entre nos “trend topics”.

    “Vamos dar audiência para nossos candidatos apenas”.

    Síndrome de Bolsonaro

    Na realidade, está todo mundo se borrando de medo com a possibilidade do capitão ganhar a eleição. Se ele estiver na frente nas próximas pesquisas, vai ser bom para Geraldo Alckmin e sua estratégia, já deliberada, de chamar à razão.

    Os previsores

    A política é a habilidade de prever o que vai acontecer amanhã, na semana que vem, no mês que vem e no ano que vem. E ter a habilidade de explicar depois por que nada daquilo aconteceu.

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  • O lado ruim dos bondes

    bondes

    Publicado por: • 17 ago • Publicado em: A Vida como ela foi

    Todos nós curtimos o passado e temos saudades da Porto Alegre dos anos 1950 até o final dos 60, mas a verdade é que tudo tem um lado não glamoroso. Tenho por mim que nossa saudade é porque éramos jovens, então, e suspiramos pelos bondes nossos de cada dia. Na verdade, eram trambolhos barulhentos que seriam inadmissíveis hoje. Com suas rodas de ferro acordavam até defuntos da lomba do Cemitério. Já havia tecnologia para emborrachá-las, mas custava caro. E como todo estatal, não gerava renda para investimentos maiores.

    Observem na foto como os “elétricos” ocupavam toda a extensão da rua. Como não havia portas, os quatro acessos eram livres para a entrada e saída dos usuários. Os carros que vinham atrás tinham que parar a cada parada e esperar o embarque/desembarque dos usuários. E como a falta de energia era uma constante diária, os bondes trancavam o fluxo. Era um martírio extensível para os passageiros.

    Só quem viveu na época sabe como apinhava gente nos bondes. Na hora do rush, até um micróbio via dificuldades para se esgueirar. Você precisava se mexer pelo menos duas paradas antes da sua para chegar a tempo nas portas sem portas. Que, por sua vez, tinham dependurados cerca de meia dúzia de PINGENTES, como eram chamados os que davam chance para o azar. Que era frequente, por sinal.

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  • O brasileiro e os livros

    Publicado por: • 17 ago • Publicado em: Artigos

    Artigo do escritor Roosevelt Colini
    www.rcolini.com.br

    Brasil e a sua inaptidão para os livros

    Em um país por fazer, talvez o perigo mais alarmante seja a inaptidão para os livros.

    Uma professora estadual de escola com público extremamente carente e problemático me contou uma ótima história.

    Ela foi orientada pela direção da escola, que por sua vez retransmitiu uma ordem do governo, de conversar com as crianças das primeiras séries sobre a importância de ler e escrever. A ideia era falar sobre o encantamento das histórias, a igualdade social, conquistas afetivas e oportunidades infinitas que teriam no mundo fraterno. Tatibitate.

    A professora decidiu fazer a atividade do seu jeito. Foi rápida. Perguntou às crianças se elas tinham ideia do motivo pelo qual precisavam ler e escrever. Deixou alguns se manifestarem e devolveu:

    – É para que ninguém engane vocês.

    Ou encaramos essa resposta primordial, ou ficamos com as mistificações desonestas adotadas por farsantes que dirigem secretarias de ensino, empossados por governantes que não dão a mínima para a educação e dela conhecem tanto quanto a maioria de nós conhecemos partículas atômicas tipo Bóson de Higgs.

    Aquela professora (e muitas outras), são quem, a duras penas, mantém sua honestidade intelectual e consideram seu papel com maior responsabilidade do que seus altos chefes. Dirigentes, aliás, que jamais encararam uma sala de aula nem lidaram com essa meninada que está começando no mundo. Os alarmantes índices de analfabetismo funcional são os fatos que derrubam qualquer demagogia em contrário.

    O medo de encarar o papel da transmissão da cultura como uma das principais missões dos adultos se reflete na covardia de uma geração que acredita no autoengendramento, lavam as mãos, nivelam o desigual e deixam crianças decidirem aquilo que deveria ser decidido por adultos. Essa gente considera um ato de violência que crianças e jovens sejam obrigados a ler um livro que não tenham escolhido espontaneamente. Esses meninos, coitados, vão pagar o preço quando encararem o desafio da disputa diante de quem cursou escolas privadas de elite. Igualdade de oportunidade sem igualdade no ferramental é falácia para a gente delirar com um mundo melhor.

    Há alguns anos, um professor e filósofo brasileiro comentou que, quando ele se inscreveu em um instituto público para o segundo grau, teve que fazer um exame de admissão. A redação tinha que ser escrita em francês, com base em um trecho de Durkheim… Em francês! Foi nos anos sessenta. As avós e bisavós lembram que o pau comia no “ginasial”. Tinha francês no currículo e não tinha moleza nem multimídia.

    Eu me senti uma pulga quando li sobre essa história do Durkheim. E olha que, no ensino básico público, eu já havia lido Machado, Guimarães e Euclides. No segundo grau introduziam textos de filosofia, nada fáceis. Enfim: lemos porque nos obrigaram. Não arrancou pedaço de ninguém nem provocou traumas para o divã.

    Tudo aquilo que construímos, equilibrado na balança da civilização e barbárie, é obra de transmissão do conhecimento cujo objeto sagrado são os livros.

    Do pergaminho ao e-book, a liberdade sem conhecimento não é liberdade: é ilusão produzida pela conveniência. Nem que seja para concluirmos que não há liberdade, somente poderemos descobrir isso através da vital precedência dos livros.

    Não existe uma teoria da conspiração de elites maquiavélicas que desinvestem em educação para impor modelos de ilusão conformista e dominação. Não se trata disso; mas existe de fato um impasse provocado pelo esvaziamento das paixões políticas e pela falta de interesse pelo conhecimento e liberdade. Mario Vargas Llosa, em A Civilização do Espetáculo, joga a toalha e considera que a cultura foi para o saco. Para ele, já era. Nos dirigimos rumo a um futuro besta e estúpido.

    Prefiro não pensar dessa forma. Redes sociais trouxeram para a escrita cotidiana uma multidão inédita de pessoas que escrevem algumas linhas por dia. Herdeiros do descalabro educacional, muitos atropelam a gramática e o raciocínio. Debatem com faca na mão. Talvez seja o preço da novidade. Mas é cedo; esse troço é recente.

    Um dia, quem sabe breve, nos daremos conta dos desacertos da vida e iremos nos perguntar, como fez um francês lá longe, no meio de 1500, sobre o sentido da desigualdade, ou, como ensinou um espanhol, olharemos para dentro de nós mesmos e de nossos sonhos, ou perderemos o fôlego com o inglês das paixões e das tormentas. Só vamos encontrar isso nos livros. Tudo bem: filmes também; mas a imagem é escrava do texto, ainda que seja em um filme sem palavras como Powaqqatsi.

    O pior inimigo de cada um de nós não é a tecnologia, embora estudos aparentemente sérios mostrem que os celulares estão alterando o processamento do cérebro, detonando nossa capacidade de concentração e nos transformando em seres mais limitados do que aqueles que nos precederam (e cuja formação foi feita através dos livros).

    O pior inimigo é um sistema educacional que não valoriza os livros e não cumpre o papel de transmitir a cultura para as crianças. Transmitir sem medo, sabendo que os alunos não são adultos: precisam de nós para chegar lá um dia. Que tipo de adultos serão e que país construirão? Depende dos livros. É simples assim.

    – Para que ninguém os engane.

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  • Consummatum est

    Publicado por: • 16 ago • Publicado em: Caso do Dia, Notas

    No último dia, o PT entrou com o pedido de registro da candidatura de Lula à Presidência do Brasil. Como é provável, o TSE deve fechar às portas à sua candidatura, então entra o estepe Fernando Haddad, vice hoje. Depois disso, Lula ainda pode recorrer ao STF. Se cair na 2ª Turma, ele tem chance. É sério.

    Mas nem tanto

    A legislação eleitoral brasileira é tão cheia de meandros e bizarrices – aliás, toda ela – que até o impossível pode acontecer.

    O Conde tinha razão

    Responsável pela reunificação da Alemanha, o chanceler Otto von Bismarck disse uma frase imortal, não convém ao povo saber como se fazem leis e salsichas. Isso que ele não conheceu o Brasil.

    A poupança de Lula

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou um patrimônio de R$ 7.987.921,57 no registro de sua candidatura. O bem maior do petista é referente a um plano de previdência privada equivalente a R$ 6,3 milhões.

    Nova versão

    Em junho, informou a Coluna do Estadão, o ex-presidente disse ao Judiciário que os bens dele e da ex-primeira-dama Marisa Letícia somavam R$ 12,3 milhões. Depois retificou o valor alegando “erro de digitação”. Na última eleição que concorreu, em 2006, Lula declarou ter R$ 839.033,52 em bens. Naquele ano, o petista foi reeleito para o cargo de presidente da República.

    Ricos & pobres

    Fernando Haddad, pobrezinho, tem apenas R$ 428,4 milhões, em números redondos. A questão fica assim: Henrique Meirelles do MDB declarou mais de R$ 300 milhões, menos que João Amoêdo, do Novo, com R$ 417 milhões. Então perto dos dois Lula é, não digo pobre, mas remediado no confronto. Já para quem percebe salário mínimo ou na faixa em torno de R$ 5 mil mensais, Lula é um bilionário.

    Inglês sabido

    A frase do escritor inglês Somerset Maughan é em homenagem aos cientistas políticos e previsores prático-militantes afeitos ao ofício. E, pensando bem, também serve como uma luva para os previsores do tempo.

    Trote Solidário

     O Trote Solidário 2018, iniciativa do Simers e seu Núcleo Acadêmico volta nesta sexta e sábado, reunindo centenas de calouros e veteranos de Medicina da Ufrgs, Pucrs, UFCSPA, Ulbra e Feevale. Entre as principais atividades, está a doação de sangue e arrecadação de alimentos. Em 2017, os jovens doaram 730 bolsas de sangue que beneficiaram mais de 3 mil vidas e foram arrecadadas mais de 35 toneladas de alimentos não-perecíveis, encaminhadas ao Banco de Alimentos, parceiro do Simers na ação.

    Encolhimento

    Esse negócio de abreviar palavras não é coisa dos tempos modernos. Para começar, a tendência é encurtá-las e temos muitos exemplo. Na gíria, lembro de uma dos anos 1960: “satisfa”, de satisfação. Quando se apresentava alguém ou se recebia uma boa notícia lá vinha o satisfa. Servia também como cumprimento.

    Porém…

    …nem todos que usavam essa palavra conseguiam pronunciá-la corretamente. Por algum motivo, a língua tropeçava nos dentes e saía “sastisfa” da boca de muita gente, em especial os de pouca instrução. Mas a palavra inteira o cabra não tinha problema. Vá entender os estranhos caminhos da mente e as ordens que manda para as pessoas físicas.

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    A diplomacia é como a pornografia: é melhor participar do que assistir.

    • Roberto Campos •