• O perigo que vem de baixo

    Publicado por: • 24 nov • Publicado em: Caso do Dia

     Há um estudo ainda não divulgado sobre os lençóis freáticos de Porto Alegre, que estariam contaminados por fármacos, entre outras substâncias químicas e metais pesados. Outro problema que bate no teto do nosso porão é a presença de hormônios femininos nas águas do Guaíba, devido à urina das mulheres que usam anticoncepcionais.

     Não sei se o nível de hormônio é perigoso ou não, o que sei é que o primeiro alerta veio nos anos 1970, quando os ingleses começara a despoluir o Rio Tâmisa e descobriram grande quantidade de reversão de sexo dos peixes. Com a reversão, as fêmeas ganham mais peso do que os machos. A cadeira de Piscicultura da Faculdade de Veterinária da UFRGS tem ou tinha dados sobre o assunto.

     Quanto aos medicamentos, é no que dá despejar remédios no vaso e dar descarga ou jogá-los no lixo, que a chuva se encarrega de infiltrar no solo. Isso sim merecia uma senhora campanha de esclarecimento.

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  • O chefe e o mar

    Publicado por: • 24 nov • Publicado em: A Vida como ela foi

     Durante duas décadas, o governo gaúcho manteve no Rio de Janeiro uma espécie de embaixada, teoricamente para auxiliar o Palácio Piratini em pleitos federais. O problema era que o Rio não era mais a Capital Federal, portanto, não servia para rigorosamente nada em termos de governo-governo.

     Abrigava pelo menos uma dúzia de funcionários, sempre comandados por alguém de confiança do governador e, como se dizia nos anos 60, “colimado com os objetivos da Revolução Redentora de 64”. Pois foi nomeado chefe do escritório um gaúcho de quatro costados, cantor de serestas, poeta, declamador e boêmio, não necessariamente nesta ordem. E, claro, homem da Revolução de 64. Soldado do partido.

     No dia em que chegou no Rio para assumir o cargo, o jornalista Éldio Macedo aguardava o novo chefe no aeroporto Santos Dumont. Nos anos 60, Éldio foi dono de boate famosa em Porto Alegre, casa que hoje chamaríamos de danceteria. O jornalista então levou sua excelência para a casa gaúcha a bordo do Opala oficial. Lá pelas tantas do trajeto, vendo aquela água toda, o chefe botou a cabeça para fora da janela do carro e desandou a cantar.

     – Copacabaaana princesiiiinha do maaaar…

     Éldio puxou o chefe de volta ao mundo real.

     – Chefe, não é Copacabana, é a Lagoa Rodrigo de Freitas!

     O homem fechou a cara. Durante anos, Macedo dizia não entender o motivo pelo qual o chefe não lhe dava a mínima pelota. Mais do que isso, era inamistoso e até hostil.

     Moral da história: nunca corrija um poeta da noite quando ele for seu chefe.

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    Tente de novo. Falhe de novo. Falhe melhor.

    • Samuel Beckett •

  • Rumo ao virtual

    Publicado por: • 24 nov • Publicado em: Notas

     Cada vez mais se fala que, muito em breve, os jornais deixarão de ser impressos, inclusive e especialmente no Rio Grande do Sul. É um caminho sem volta, é verdade, mas acho que deve se dizer o mesmo que Saulo antes de se tornar São Paulo: Senhor, fazei-me casto, mas não agora.

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  • O fim da letra

    Publicado por: • 24 nov • Publicado em: Notas

     Por experiência própria, garanto que a transição será dolorosa para os veículos e leitores tradicionais, a começar pelo cansaço do leitor. A letra impressa tem borda bem definida, ao contrário da tela. O olho procura o “fim” da letra e não a encontra, então volta e vai de novo enquanto estiver olhando para a letra. Por isso cansamos rápido ao ler textos mais longos na internet.

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