• Milagre da casa

    Publicado por: • 19 jan • Publicado em: Caso do Dia

     Santo de casa faz milagre para a casa. A quantidade de internautas que aconselham a reza para obter a cura de males, acertar na loteria ou para encontrar um sapato novo que sirva no seu pé cresce cada vez mais. Acho que todos os santos possíveis já foram listados nas redes sociais, eles e as rezas que devem ser feitas para obter o milagre.

     Nos anos 1980, começaram a aparecer nas páginas da Zero Hora “a pedidos” com a oração de Santa Clara. Primeiro, timidamente. Depois, foi uma enxurrada crescente em espaços de todos os tamanhos. E preços, obviamente, porque um “a pedido” custava 20% a mais do que um anúncio clássico. O jornal chegou a ter páginas mais páginas só de oração de Santa Clara. Isso durou meses, até onde me lembro, até que os anúncios foram minguando.

     Os primeiros anúncios da santa não foram postados por devotos. Foi ideia do diretor comercial da ZH, Madruga Duarte. Os leitores crentes começaram a achar que se ela ela tão lembrada, deveria ser poderosa na área de milagres, então também pagavam para publicar a oração.

     Neste caso, e ao contrário do ditado popular, o santo de casa fez milagre. Para a casa.

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  • Pânico do militante

    Publicado por: • 19 jan • Publicado em: A Vida como ela foi

     Como é ruim não ser preso. Idos de 1969. Após o AI-5, o Dops efetuou uma série de prisões de jornalistas engajados na esquerda. Um deles, brizolista de quatro costados e muito conhecido, esperou a sua vez. Avisou a família e o advogado do partido. Passaram-se os dias, todos os seus amigos e conhecidos foram chamados e ele nada. Cada vez mais nervoso, decidiu não esperar e se apresentou ao Dops. Deu seu nome. Um policial conferiu a lista de pedidos.

     – Olhe, aqui nada consta.

     Estupefato, porque sua militância era escancarada, pediu que checassem de novo.

     – Nada consta.

     – Como nada consta? – explodiu ele.

     – Estou lhe dizendo que o seu nome não está na lista – respondeu irritado o policial. – Se manda!

     – Olha deve ter um engano. Quem sabe…olha, não está na carteira de identidade, mas quem sabe faltou conferir com o sobrenome da minha mãe?

     Quase que o policial o prende por desacato. Mas na dúvida, conferiu a lista de novo com este detalhe. Nada. E mandou o jornalista embora. Este passou da indignação para o desespero. Como que ele não seria preso pelo Dops? O que diria aos colegas? Pior, os companheiros de luta poderiam desconfiar que não fora preso porque dedou a turma toda e se safou.

     Dormiu muito mal naquela noite. Imagina, um cara como ele não ser preso pela polícia política!

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    Odeio dois beijinhos, aperto de mão, tumulto, calor, gente burra e quem não sabe mentir direito.

    • Caio Fernando Abreu •

  • Congestão

    Publicado por: • 19 jan • Publicado em: Notas

     Nem mesmo aconteceu e já torra a paciência o noticiário em torno da quarta-feira, o Dia D Lula. Agora saberemos até quantas águas minerais os repórteres vão beber.

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  • Prevenir para não remediar

    Publicado por: • 19 jan • Publicado em: Notas

     Aliás, alguém da imprensa ficou indignado porque, entre outras medidas, o colegiado que envolve o Judiciário, a Polícia Federal, o Estado e prefeitura decidiu fechar o acesso ao Parque da Harmonia na próxima quarta-feira. Direito de ir e vir, foi o argumento. Maravilha. Só que se o parque fosse liberado e houvesse um confronto com vítimas, a imprensa seria a primeira a criticar o não-fechamento deste espaço público.

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