A visão da grama

22 abr • A Vida como ela foiNenhum comentário em A visão da grama

Causo dos tempos de aeroclube. Um aluno se matriculou no curso para obter brevê de piloto para escapar do serviço militar, obrigatório da época. Como não se apresentou em tempo hábil, ou tirava o curso de piloto privado ou cana. Era um tipo intelectual, com óculos de aro de tartaruga, sabia tudo sobre o pensamento aristotélico e nada sobre estol e menos ainda sobre a arte de voar. Dizem que ele entrou no CAP4 Paulistinha e perguntou se a primeira marcha era como no Fusca. Mas aí já era maldade.

Um inspetor do Departamento de Aviação Civil (D.A.C), o Infraero da época, de sobrenome Calmon, ficou com pena do rapaz e pediu para um instrutor, não lembro se do aeroclube de Caxias ou do RGS, na época em Canoas, que desse aulas extras, levando em consideração a lamentável falta de vocação aeronáutica do rapaz.

Nem ele aguentou o tranco. Desistiu depois de umas boas 10 horas de voo e o expulsou do curso. Contou ao Calmon que em desespero de causa tentou tirar um mínimo do aluno problema. Quando o Paulistinha entrou na reta final, biruta à vista, o instrutor perguntou ao aluno se ao menos pudesse dizer a velocidade e a direção do vento. O rapaz abriu a janela corrediça.

– Forte. E de frente.

Meses mais tarde, surgiu outro causo dele. Nas primeiras aulas, quando o grupo de alunos fazia o reconhecimento da pista, alguém perguntou se conseguia ver o fim da pista. Ele apontou o dedo.

– Mas claro! É ali, onde a grama nasce abrupta.

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