A noite do Sereno

2 jun • A Vida como ela foiNenhum comentário em A noite do Sereno

 Morreu aos 88 anos, quase 89, o meu amigo Sereno Chaise. Nem preciso falar do político Sereno, os obituários contam sua trajetória. O Santinho – esse era seu apelido quando o conheci apostando carreira no Jockey Club de Porto Alegre, e também como dono do bar-chope Barcaça, ex-Brahms, na esquina da Cristóvão Colombo com a Garibandi, e depois do Barcacinha, uma quadra longa acima, antigo Styllo Bar – me chamava de Magrão quando nos encontrávamos. Desnecessário dizer por que.

 Mas o causo aqui é outro. Antes de romper com Leonel Brizola, o falecido era um dos poucos que o doutor ouvia. Nem sempre acolhia suas sugestões, mas ouvia, o que já era muita coisa para quem o conheceu. Certo domingo, no início do ano de 1986, quando eu escrevia o Informe Especial da Zero Hora, fui jantar no Pedrini, na Venâncio Aires. Sentadito e solito em uma mesa grande, pedi o filé à parmegiana.  Mal misturei o arroz com o molho, para dar a primeira garfada, quando entrou todo o alto comando do PDT, a maioria conhecidos ou amigos meus.

 Como o bar estava quase cheio, pedi para o garçom juntar alguma mesas de modo que pudéssemos sentar mais ou menos juntos. Devidamente acomodados, perguntei ao jornalista Renato D’Arrigo, já falecido, o motivo daquela revoada de cardeais pedetistas.

 – É que o chefe chega do Rio no corujão da Varig, então, estamos fazendo tempo parta recepcioná-lo no aeroporto – explicou.

 E aduziu:

 – Vamos propor ao Brizola um nome de consenso para concorrer ao Palácio Piratini.

 Isso foi tipo 22h. Uma hora e pouco depois, saímos todos juntos, eles para o aeroporto e eu para meu humilde tugúrio. No dia seguinte, abro a Zero Hora e leio na coluna do J.C. Terlera que Brizola havia chegado cedo de manhã e se reunido secretamente com Sereno Chaise, encontro que definiu a candidatura Aldo Pinto.

 O chefe deu o balão na tchurma do peito. Os sobreviventes daquela noite estão vermelhos até hoje.

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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