A espuminha

31 mai • A Vida como ela foiNenhum comentário em A espuminha

Nos anos 1970, todo mundo passou a beber uísque. Antes, você só bebia uísque (nacional, ruim como carne de cobra) em baile de Carnaval e mesmo assim rachando com três ou quatro amigos. Um quarto de porre, imagina só. Uma marca famosa da época se chamava Mansion House, apelidado de Mãos ao Alto. Importado só para os ricos, JB, White Horse e outras marcas. A dose internacional sempre foi de 50 granas, mas aqui era de 30. Já começava aí a esperteza.

Alguns espertinhos chegavam ao cúmulo de soldar um pedaço de metal no fundo do medidor para diminuir ainda mais a quantidade do uísque nele despejado. Aqui, em se vigaristeando, dá. Do lado contrário, quando um cliente conhecido da casa pedia uma dose, o garçom sempre dava um extra, um chorinho como se dizia. Naturalmente, o choro dependia do grau de pão-durismo do dono da casa.

A expressão chorinho também era usada nos bar-chopes, mas geralmente com outro nome. No Styllo, da avenida Independência, onde fiz estágio probatório, pedíamos ao tirador de chope “uma espuminha” quando a verba acabava ou a casa estava prestes a fechar. De espuminha em espuminha, bebíamos hectolitros de chope. Com a cumplicidade do tirador, é claro. Para encerrar, como dizem os paulistas ao garçom:

– Me dá um chopes e dois pastel.

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