Grande bosta

10 out • A Vida como ela foiNenhum comentário em Grande bosta

Pululam por aí chistes, ditos e causos envolvendo o sotaque abrasileirado dos descendentes de alemães ou até mesmo os in natura. É muito difícil dar graça no escrever, e mesmo no falar é brabo.

Principalmente quando o imitador não é iniciado na língua de Goethe. Então aqui vai um causo meu. 

Em uma cidade do Vale do Caí, ficou famoso um subprefeito chamado Afonso, que circulava muito nos distritos cuja população era predominantemente de origem alemã. Então Afonso virou Alfons – a pronúncia fica entre o “s” e o “z”.

Pelo seu jeito de agir logo virou personagem folclórico. Muito prestativo, fazia o bem sem olhar a quem.

Um dia, um caminhão da prefeitura manobrava numa rua muito estreita. Vendo a cena, o Alfons foi para a parte traseira do veículo e começou a dar dicas.     

– Vem de ré, uma veiz, não tem ero. 

Preocupado com o pouco espaço, o motorista ficou na dúvida.     

– Mas tá tudo limbo aí atraas?     

– Vem ti rindo, só tem um bosta. 

Senso de humor de alemão tem disso. Grande bosta ter uma bosta no caminho. O motorista engatou a ré na caixa seca no Ford F-8 e mandou bala.

Segundos depois, ouviu-se um grande estrondo. Aflito, o motorista saiu da boleia para conferir o estrago: tinha derrubado um poste. O Alfons ainda tripudiou.     

– Eu avisei que tinha um bosta, rapaiz! Tu tinha que ser mais cuitatoooso, uma veiz. 

Visto pelo ângulo dele, o recado não podia ser mais claro.

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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