O Nego e a Gorda

28 mar • Caso do DiaNenhum comentário em O Nego e a Gorda

 O trânsito é o melhor retrato de um sociedade. Tem motorista burro, desses que não liga a seta, hesita em tomar seu rumo, antes de dobrar para a esquerda abre à direita e por aí vai. Ele não é mau, é apenas burro. Vulgarmente conhecido como sem noção. Podem dar trocentas aulas para ele que não se corrige. Temos também o espertinho, o da Lei de Gerson, o egoísta que não faz a gentileza de te deixar sair da garagem do prédio (desculpem-me, mulheres, mas nesse quesito vocês são campeãs).

 Existe ainda o malvado, que, se pudesse, te matava espetando seu carro como se o outro fosse tábua de tiro ao alvo; o relaxado, que trafega com pneus carecas; o sujinho, que joga bituca de cigarro e lata de refrigerante e papel pela janela. Quanto mais denso o tráfego mais esses diversos tipos amplificam sua condição, seja ela de burro, malvado, sem noção etc.

 Mas um tipo de motorista em especial se define com uma postura: o que dirige com a mão esquerda para fora da janela e faz o câmbio sem colocar a direita no volante. E mesmo de costas, dá para ver como ele se julga esperto. Ou, no carioquês, experto. Quase sempre é casado e sua mulher o chama de Nego e ele a chama de Gorda. Uma vida inteira é definida por aquele braço para fora da janela.

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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