Rússia

8 out • ArtigosNenhum comentário em Rússia

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O Viajando é lido e tem contribuição de muita gente, mas falta alguém com contatos, e das pessoas que conheço, só a Carmen. Não falo da tia Carmen, mas da minha amiga e ex-assistente que é paranormal. Se ainda trabalhasse comigo teria me dito: “Flavio, não vá agora para, a primavera europeia vai atrasar etc etc”. E teria razão.

Chegamos a Copenhagen dia 12 de maio com 2 graus abaixo às quatro horas da tarde. Nada assustador, mas inesperado.
Ali planejamos a nossa viagem de ferry e ônibus interurbano. Ferry entre a Dinamarca, Suécia, Finlândia e São Petersburgo, que eu às vezes tenho uma recaída e chamo de Leningrad, pois as duas vezes que eu ali havia estado, ainda estava sob a antiga direção e uma delas para mim foi inesquecível. De trem e com toda documentação em dia e sem transportar armas, drogas bombas ou qualquer ilícito….fui detido por entrar no país com uma perigosa revista, a “News Week”, com algumas palavras sublinhadas, como faço até hoje para não interromper a leitura e procurar no “amansa burro” mais tarde.

Pois bem, acharam que era um código, pois eu sublinhava com uma caneta de várias cores, rapidamente interrogado em Russo e em um idioma que o camaradsky achava que era francês, eu não tinha o que responder. Fui trocado de compartimento no meio da noite e colocado em uma cabine/cela com grades na janela. Eu na época nem sabia que o Soljenítsin existia, mas já me imaginava com ele na Sibéria. Brrrrrrrr!

Não agora, mas reencontrei um dia o companheiro de viagem, Henry Pepper, professor das escolas de Montesouri e damos boas risadas. Ele conhecido na viagem e totalmente apavorado ao me ver entrar numa limusine e desaparecer numa Leningrad de 10 graus abaixo de zero.

*É claro que tudo isso ficou bem fácil nesta viagem, mais ou menos 40 anos depois. Os antigos líderes foram substituídos e o clima frio, mas com céu azul, depois de uma boa janta íamos para o hotel.
Ei! Vocês! Gritam para nós em inglês, eram uns rapazes e moças fantasiadas numa praça, ou melhor, um lago praticamente com árvores e as que tem ali, estavam ainda sem folhas; o verão não chegara. Era uma festa, uma preparação para o início das noites brancas, e o que foi a nossa chegada naquela manhã.

O Ferry, um Ferry comum, desde a Finlândia vinha quebrando o gelo. Onde chegamos agora, novamente São Petesburgo, que por uns 50 anos foi Leningrad, aliás minhas duas visitas anteriores haviam sido com este nome intermediário. E agora novamente como San Petersburg, espero que para sempre. Pois lendo sobre o que passaram, merecem o resto da existência sem conflitos. Dentro de algum tempo iniciava-se o verão e eles, os jovens, já estavam se preparando.

A temporada das noites brancas de verdade é o início do verão oficial, quando o sol quase não se põe naquela latitude, os moradores dão adeus à tristeza do inverno e festejam todas as noites, e a noite toda. É bonito ver os jovens e o reflexo da lua nos canais e na superfície do Neva.

Os mais fluentes em inglês ou francês, dizem que eles comemoram o verão todas as noites. E perto da meia noite se ouve: dez, nove, oito… e quando os ponteiros se juntam, rolhas de champanhe vão para o ar. Todos ficam próximos a umas mesas colocadas em frente ao bar que estávamos.

Neste momento, uma atendente que conhece a todos vai anotando os pedidos e nos diz: é um lugar especial, aqui a noite é mística. Não há outro lugar igual na Rússia. Outra garçonete que chega perto de nós já vem dizendo: estão gostando? É sua primeira vez aqui? Ela anota o nosso pedido e fala: vocês têm sorte! Não há lugar igual na Rússia.

Ficamos ali até mais ou menos uma hora da manhã, nosso hotel era na mesma rua e chegamos fácil. Na entrada olhamos o termômetro, menos 4 graus. Só então sentimos frio… e era o início da Primavera, segunda semana de maio. Enquanto esperávamos o Concierge, abri a porta, grupos passavam alegres em direção ao lago onde estávamos. Iam se juntar aos amigos. Realmente começavam as noites brancas.

Flávio Del Mese

Flávio Del Mese nasceu em Caxias, mas tem quase certeza que sua cegonha passou a baixa altura e foi abatida. Isso frequentemente acontece com quem voa por lá, sejam sabiás, tucanos, corujas ou bentevis, mas não tem queixas. Foi bem recebido tanto na infância quanto na juventude, assim como em Porto Alegre, onde chegou uns 15 anos depois, já sem cegonha e a cidade o embala com carinho até hoje. E ele sabe do que fala, pois conhece 80% dos países do globo. Na Europa só não esteve na Albânia, da América só não conhece a Venezuela (prevendo quem sabe, que do jeito que vamos, em breve seremos uma Venezuela). Na Ásia, não passou pela Coréia do Norte e pelo Butão, mas à China foi 6 vezes e também 6 vezes esteve na Índia, sendo que uma delas deu a volta no país de trem, num vagão indiano, onde o até hoje, seu amigo Ashley, tinha uma licença para engatar o seu vagão atrás das composições cujos trilhos tivessem a mesma bitola. Sua incrível trajetória de vida é marcada por uma sucessão de acasos que fizeram do antigo piloto da equipe oficial VEMAG (vencedor de 5 edições de Doze Horas), em um dos fotógrafos mais internacionais do Brasil. Tem um acervo de 100 mil fotos- boa parte delas mostradas nos 49 audiovisuais de países que produziu e mostrou no Studio durante 20 anos e que são a principal vitrine do seu trabalho (inclusive o da volta na Índia de trem). Hoje dedica-se a redação e atualização dos Blogs Viajando por viajar e Puxadinho do Del Mese com postagens sete dias por semana.
Extraído de reportagem:
Ademar Vargas de Freitas
Clóvis Ott
Juarez Fonseca
Marco Ribeiro

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