• Xico Chargista

    Publicado por: • 4 nov • Publicado em: Artigos

      04-11-15A oportunidade como chargista aconteceu em 1957, a convite do jornalista Roberto Eduardo Xavier. “Foi a minha sorte”, revela na entrevista ao Correio do Povo, “me dei muito bem na Caldas Júnior. Passei a ter tempo para fazer escultura, que era aquilo que realmente me interessava”. Mas entre A Hora e a Folha Esportiva, o jornal da Caldas Júnior onde se tornou chargista, houve um pequeno intervalo longe das redações.

      Xico contou a Ney Gastal que pediu demissão de A Hora “quando houve uma briga entre o grupo. Fui para a Acessórios São João, pintar cartazes”. Del Mese lembra bem dessa fase: “Ele pintava frases do tipo ‘partes para todos os carros para carros de todas as partes’ e os freios, as ofertas, etc. Naquela época fez um barracão ao lado da casa na rua Pelotas, para fazer suas esculturas”.

      Com “extraordinária facilidade para fazer charges”, como diz Del Mese, Xico fez humor, ironia e crítica sobre esporte, cultura, sociedade, política. Qualquer tema.
    Gremista, fez uma charge antológica quando o Internacional lançou a venda de cadeiras cativas no futuro estádio Beira-Rio, assunto que Marco Aurélio, da Zero Hora, aborda no depoimento especial que mandou aqui para a Press.

      Mas o tempo que sobrava para esculpir começou a dar bons resultados. Naquela época, Flávio Del Mese trabalhava na indústria de automóveis e testemunhou o sucesso de Xico artista: “Ele fez uma exposição e descobriu que sua obra era vendável”. Em outra exposição, completa Del Mese, “o empresário Severo Gomes comprou todas as obras dele” no aeroporto mesmo. Azar do jornalismo. Porque cada vez tinha mais convite para exposições, mais obras a fazer, menos tempo para a redação: “Sempre tinha liberdade para viajar com minhas exposições, saía quando precisava. Até que chegou o momento, lá por 1970, em que já não precisava mais trabalhar em jornal. Mas gostava, então ia ficando”. Ficou mais dois anos: sua última charge foi publicada em 1° de setembro de 1972, na Folha da Manhã: um japonês visita o prefeito Telmo Thompson Flores sobre uma discussão do momento: um aerotrem para Porto Alegre.

    O surdo que escutava
    Xico, como Aleijadinho, Steve Wonder e outros gênios, tinha uma deficiência. Escutava pouco e, como Beethoven, “compôs” suas obras “escutando”, tenho certeza que ouvia, o tilintar das batidas nos metais de suas esculturas e o barulho do lápis sobre o papel que riscava. Como chargista, infelizmente, não quero me aprofundar neste outro tipo de arte na qual também foi brilhante. A obra que o consagrou foi “Boia Cativa”, gozando o meu colorado. Xico, por aquela charge merecias uma Copa do Mundo. Foste um “guerreiro” com alma e coração que lutou até o fim.

    Marco Aurélio, chargista de Zero Hora

    Obs minha: Para que ele não se vire na cova, ele era colorado, c-o-l-o-r-a-d-o.

    Melhor amigo que se pode ter
    O Xico gostava de usar calças de brim, camisas xadrez e suspensórios. Uma vez fomos ao Chile, no governo Allende, e ele, branco como era, loiro avermelhado, vestido daquele jeito e umas botas que ele havia trazido do Texas, parecia um americano. Os ânimos andavam acirrados contra os Estados Unidos e, nos bares, sempre havia discussões, palavrões gritados e ofensas que o Xico não ouvia. Só não apanhamos porque eu falo espanhol com a fluência de quem morou lá quando jovem e uma boa dose de lunfardo (gíria) e conseguia explicar tudo. Mas o Xico quando soube trocou de roupa e fomos para a Ilha de Páscoa.
    Ele sempre encarou tudo de frente, tinha fome de viver. Foi um dos melhores amigos que alguém pode ter.
    Flávio Del Mese, fotógrafo

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  • Caçadores de ferros

    Fernando Albrecht-fala sobre o de contruçõa como ferros encontrados na beira da praia

    Publicado por: • 3 nov • Publicado em: Notas

    Fernando Albrecht-fala sobre o de contrução como ferros  encontrados na beira da praia  Miguel Costa e sua enteada Shayane Castro rastreiam as areias da Capão da Canoa com detectores de metais encontrando pequenos objetos, como joias, relógios, óculos, pulseiras, anéis etc. Mas eles estão muito preocupados porque localizam na área de maior movimento muitos restos de obra como ferros, que são detectados a 50 cm. Embaixo da areia, inclusive dentro do mar, tornando assim um perigo para quem caminha na areia ou entra no mar para banhar-se ou surfar, alerta seu Miguel.

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  • A recompensa final dos mortos é não morrer nunca mais.

    • Friedrich Nietzche •

  • Invadir e ocupar

    Publicado por: • 3 nov • Publicado em: Caso do Dia

      A China tem investido pesado em país sul-americanos, em especial Argentina, Uruguai, Bolívia entre outros. São investimentos que vão além do investimento puro e simples, são investimentos geopolíticos.

      O Brasil também está na lista, é claro. Mas, de alguns tempos para cá, eles vêm com mais apetite. Há informações que fazem ofertas por cimenteira e agora se dispõem a investir em energia, eólica inclusive. Com o dólar em altura bíblica – Hosana nas Alturas ! – é barato investir no Brasil e melhor ainda exportar.

      Além dos chineses, os russos também estão chegando. O poderoso grupo LetterOne quer injetar US$ 4 bilhões na fusão da Oi com a TIM. Já não se fazem mais comunistas como antigamente.

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  • O Repórter Mandico

    Publicado por: • 3 nov • Publicado em: A Vida como ela foi

      Um dos meus tipos inesquecíveis é o Mandico, um funcionário aposentado do Banco do Brasil que foi próximo ao ex-presidente João Goulart. Era sócio da Mesa  Um do finado Restaurante Dona Maria nos anos 1980. Era um sujeito impagável, muito talentoso. Nos anos 1950, mantinha um programa humorístico em uma emissora de rádio de Porto Alegre.

      Na época, o Repórter Esso da Rádio Farroupilha era de escuta obrigatória, o que se repetiu também na televisão brasileira na TV Tupi, do poderoso grupo Diários e Emissoras Associados. O bordão do programa era “Repórter Esso, o primeiro a dar as últimas” (notícias).

      Pândego que era, Mandico então criou no seu programa humorístico uma paródia do Esso, o Repórter Osso. O bordão era um primor: “Repórter Osso, o último a dar as primeiras”. Incomodou tanto a direção dos Associados que Mandico teve que encerrar sua melhor atração.

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