• A valentia do coronel Dudu (I)

    Publicado por: • 28 fev • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…o certo é que a bombacha tinha marcas da enchente de 1941″

    O coronel Dudu nunca foi coronel e muito menos tinha aparência de um, da ativa ou da reserva, mas assim alguém o chamou algum dia e assim seu apelido ficou. Do alto dos seus 1,65 metro, dava-lhe algum status. Era um dos mais assíduos freqüentadores do lendário Bar Pelotense, na rua Riachuelo. Pertencia à ala do Proálcool conhecido como “Ala dos Em Pé”, assim cognominados porque bebericavam sempre junto ao balcão, raramente sentando nas mesas de mármore do bar. Quando chegava perto do 20 de Setembro, Dudu ficava mais e mais valente, característica que crescia na proporção direta da quantidade de copos de maracujá com cachaça que bebia. Um perigo, essa mistura. Fosse hoje, diriam que era coisa da Al Qaeda. Levou gente para o além antes do tempo, mas isso já é outra história do Pelotense. Invocado como todo baixinho, aí pelo dia 10 de setembro, Dudu começava a se pilchar. Começava pela botas, que iam até os joelhos. Dias depois, vinha de bombacha, cuja idade provavelmente só pudesse ser conhecida pelo sistema de datação pelo Carbono 14. O certo é que tinha marcas da enchente de 1941. A guaiaca e coldre com lugar para um revólver, não maior que calibre 32 vinham a seguir – um 38 certamente encostaria o cano no chão. Depois vinha o lenço maragato, cujo vermelho à noite parecia furta-cor. Por fim, assomava a valentia molhada, e bem molhada pelo maracujá. Neste estágio, com olhar ligeiramente fora de foco, encarava quem estivesse no bar e então era possuído pelo espírito de 35. – Buenas que me espalho, nos pequenos dou de prancha, nos grandes dou de talho! (conclusão amanhã)

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  • Pelas barbas de Fidel!

    Publicado por: • 27 fev • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…a rapariga virou-se de costas para o moribundo”

    Um grupo de cubanos resolveu arriscar a sorte e se mandar para Miami. Improvisaram um barco e se mandaram. O mais velho sofre um ataque cardíaco e pede, como último desejo, uma bandeira para se despedir da sua querida Cuba. Os outros refugiados começam a procurar em bolsas, sacolas e em todos os lugares onde pudesse estar guardada uma bandeira de Cuba. Depois de algum tempo, deram-se conta de que não havia nenhuma bandeira de Cuba no barco. Nisto, uma linda jovem de vinte anos, vendo o sofrimento do velho, disse que tinha tatuado na bunda a bandeira de Cuba e ofereceu-se para ajudar. A rapariga virou-se de costas para o moribundo, baixou as calças e mostrou a bunda com a bandeira tatuada. O velho agarrou a moça com força e beijou a bandeira, emocionado, enquanto gritava: – Mi querida Cuba, me despido con recuerdos, mi vieja Havana, mi Linda tierra! O velho continuou com beijos e mais beijos na bandeira, até que, em lágrimas, disse à moça: – Ahora vira de frente, que quiero despedirme de Fidel.

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  • Os discursos de Fidel

    Publicado por: • 26 fev • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…de saída, o comandante disse que faria apenas uma breve saudação”

    Dizem por aí que o povo cubano enxergou um lado bom na aposentadoria definitiva do comandante: não ter mais que aturar os longuíssimos discursos de Fidel. Houve tempo em que o companheiro falava pra mais de metro. Menos de cinco horas era curta metragem. Quando alguma delegação estrangeira visita Cuba, sabia que lá vinha bomba. O deputado Eliseu Padilha gostava de contar da visita que fez a Cuba, ele e uma comitiva de deputados federais. Ficaram lá alguns dias e naturalmente que o grand finale foi um jantar oferecido pelo comandante à comitiva brasileira. Lagosta. De primeiríssima. Havia um pedestal com microfones e os brasileiros deram como certo que Fidel faria mais um dos seus longuíssimos discursos. Engano. Ele foi ao pedestal e já de saída foi dizendo que faria uma breve saudação. Dito e feito, foi vapt-vupt. Pouco depois, Fidel percorreu as mesas e fez uma parada na mesa onde estava Padilha. Conversa vai, conversa vem, o deputado brasileiro elogiou a lagosta que estava sendo servida, maravilhosamente bem temperada. Sabedor que Fidel apreciava bons pratos, perguntou qual a receita. Má idéia. – Bueno… O homem engrenou uma primeira e adentrou nos entretantos, desde como o crustáceo era capturado, a preparação e os temperos. Quando engatou uma quinta, era madrugada alta.

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  • Gato por lebre

    Publicado por: • 25 fev • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…põe os óculos escuros e entra no restaurante”

    Dois amigos levam seus cachorros para passear num sábado à tarde. Um deles tem um dobermann. O outro tem um chiuaua. Depois da caminhada, o dono do dobermann diz: – Vamos a um restaurante para comer alguma coisa ? O dono do chiuaua responde: – Não podemos entrar. Estamos com os cachorros. – Faça igual a mim. – diz o dono do dobermann. Ele põe óculos escuros e vai entrando no restaurante com o cachorro. O porteiro diz: – Desculpe, mas cachorros não podem entrar. O dono do dobermann: – Você não entende. Eu sou cego e esse é meu cão-guia. Pela lei você não pode me discriminar por causa de minha deficiência. Porteiro: – Você está certo. Mas um dobermann como cão-guia ? – Sim, eles estão sendo usados agora. São muito bons. – diz o dono do dobermann. O dono do chiuaua põe também os óculos escuros e entra no restaurante. O Porteiro: – Desculpe, mas cachorros não podem entrar. O dono do chiuaua: – Você não entende. Esse é meu cão-guia. O porteiro fica indignado: – Ah, não! Aí é pensar que eu sou idiota. Um chiuaua como cão guia? – Chiuaua?!! Me venderam um chiuaua?

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  • As Damas da Noite (conclusão)

    Publicado por: • 22 fev • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…o Leão contou os lençóis que eram lavados diariamente”

    Interrompida por um dia, eis o final do episódio sobre as mulheres famosas da noite porto-alegrense. Ou os cabarés comandados por mulheres. Cabarés extinguiram-se. Morreram quando surgiram as garotas de programa, sites, books e por aí afora. Cabaré era um lugar de respeito. Dançava-se, bebia-se, e levava-se as mulheres para o quarto depois do acerto de preço. Instante ou pouso. Uma casa precursora em matéria de liberdade sexual foi a Dorinha, na esquina da Pedro Chaves Barcellos com a Júlio de Castilhos. Na maioria das casas, as gentís senhoritas faziam só papi-mama. Deus me livre se alguém pedisse algo diferente, como sexo oral. – Tá pensando que eu sou o quê? Essa era a resposta indignada do mulherio. Mas na Dorinha, não. Hoje, o pau come solto nessa matéria. Como se diria em linguagem de advogado, antes era recurso extraordinário, agora é petição inicial. De um lado e de outro, a bem da verdade. A Dorinha tinha uns bancos com espaldar, discretos. Outra casa era a Antoninha, na João Pessoa ao lado do Jornal do Comércio. Também teve seus tempos de glória. A Míriam ficava ao lado da Zero Hora. Nos anos 80 era o último dos cabarés. Míriam se recusou a vender o prédio para a expansão da RBS. E teve a glória das glórias, a Mônica, ou Mônika, no Cristal. Casa classe A, com seu famoso quarto dos espelhos. Mônika morreu há coisa de cinco ou seis anos, no Guarujá, São Paulo. Ela protagonizou um caso famoso com a Receita Federal, no final dos anos 60, quando o leão realmente começou a comer as pessoas. A Receita contestou a declaração da Mônika, dizendo ela faturava mais que o alegado com um argumento sólido: o fiscal contou os lençóis que eram lavados diariamente na lavanderia da casa. Lascou uma multa federal no cabaré. Não quebrou, mas foi um baita estrago no caixa. A contadora da casa está aí vivinha da silva para confirmar a história.

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