O sumiço do governo  

13 out • Caso do DiaNenhum comentário em O sumiço do governo  

Atendi a um amável convite para jantar do cônsul da Espanha, José Pablo Alzina, que reuniu um petit comité na sua bela residência. A conversa que rolou foi, para mim, uma das melhores dos últimos anos. Entre as dez pessoas estava o bem-humorado e perspicaz rabino Abraham Deleon-Cohen, de Miami, sobre quem falarei mais adiante. Também conhecedor da política brasileira, Alzina nos deu um belo panorama sobre seu país e a Europa. Há algo notável acontecendo por lá, disse.

Como é sabido, uma crise impede há tempos a formação de um novo governo espanhol. Há outros países na mesma situação, como a Bélgica, ou em imbróglios assemelhados. No entanto, a vida e a economia seguem seu curso como se nada estivesse acontecendo de anormal. Com uma certa perplexidade, há um entendimento que o governo não faz falta. Com sociedades estáveis e com necessidades primárias atendidas, dá para entender.

Pensei no Brasil. Quando se avizinhava a possibilidade de Lula ser denunciado e Dilma ter boas chances de sofrer impeachment, a crença comum era que multidões enfurecidas iriam às ruas. Temia-se o pior. Tirando os quebradores de coisas alheias, o povo propriamente dito ficou em casa. E sem estar enfurecido, até porque queria ver os dois pelas costas. Isso causou e ainda causa perplexidade na esquerda. O povão não estava nem aí. A diferença é que aqui a economia depende demais do governo.

O rabino? Ele me provou que 1 + 1 não é 2, que é 3. Veja abaixo no NOTAS.

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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