O baixinho

30 set • A Vida como ela foiNenhum comentário em O baixinho

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O Zeca a que me referi ontem tem mais um causo notável. Foi nos anos 1960, quando se podia passear na Praça da Alfândega mesmo de noite e até de madrugada sem correr maiores riscos. Ao lado do prédio dos cinemas Imperial e Guarani, na Rua da Praia, essa obra da Caixa que não termina nunca, havia o Matheus, uma padaria/confeitaria/lancheria e comida a quilo. Acreditem, comida a quilo já existia naqueles tempos.

O Zeca tinha um amigo que era baixinho, mas baixinho mesmo. Certa noite, ele o pegou pelo braço e desabafou.

– Zequinha, meu amigo, tu não sabes o tormento que é minha vida por causa da minha altura. É piada, chacota, me chamam de pintor de rodapé, que só sirvo pra tirar penico debaixo da cama, um inferno! O pior é que não tem solução…

Zeca ficou pensativo por alguns metros de caminhada. De repente, estacou e se virou para o desabafante.

– Talvez tenha solução. Já experimentaste aguar os pés?

Aquela noite marcou o fim de uma grande amizade.

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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