Não me comprometa

23 jan • A Vida como ela foiNenhum comentário em Não me comprometa

Meados dos anos 1960. As polícias do Rio Grande do Sul foram reestruturadas e foi criado um estatuto. Para ser delegado, dali para a frente, era preciso que o candidato fosse bacharel em Direito. O problema era como enquadrar os antigos, incluindo comissários, sem curso superior embora fossem ótimos guardiões da lei. Resolveram que haveria uma prova oral com perguntas elementares, dessas que todo mundo conhece sem precisar recorrer aos livros.

Um dos delegados escolhidos para examinar a velha guarda foi Antônio Diniz Alves de Oliveira, que me contou este causo. Um dos examinados era um experiente comissário de Polícia, cuja experiência e eficiência no combate ao crime era notória. Diniz então começou com uma pergunta simples, quem era o governador, o presidente, o Chefe de Polícia, essas coisas. O examinado só acertou a chefia. Bem, não podia dar 10 para quem tirou quase zero, certo?

Diniz então pediu que ele cantasse ou apenas dissesse as duas primeiras linhas do Hino da Polícia, assunto de domínio de todos. Nada, o homem não sabia. Como a ordem era adaptar os antigos para as novas regras de um jeito ou de outro, mas facilitando ao máximo o exame, Diniz perguntou outra coisa, a história da Polícia gaúcha nem que fosse apenas algumas datas ou detalhes insignificantes. O comissário ficou alarmado.

– Pô, delegado, o senhor quer me incriminar? Contar histórias da Polícia, hiii… Não vou dedar meus companheiros!

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