Das auto

1 nov • A Vida como ela foiNenhum comentário em Das auto

carro

Essa é uma foto clássica dos anos 1940 início dos anos 1950, e mostra a família Peter de Santa Terezinha, Bom Princípio, Vale do Caí. Eles eram muito amigos do meu pai e da mãe. Pouca gente podia ter um carro e, na maioria das vezes, era de segunda mão, hoje prosaicamente chamados de seminovos. Quando alguém comprava um, o carango passava a fazer parte da família.

Era motivo de orgulho e, nas tradicionais fotos de família, ele era estrela. Todos se arrumavam usando as melhores roupas ternos (fatiotas, na época), vestidos e sapatos que só se usava em momentos solenes.

Como as famílias eram numerosas, fazia-se o possível e o impossível para aboletar todo mundo para a missa dos domingos, para casamentos, batizados e nos kerbs, as grandes festas das colônias alemãs feitas durante três dias, com data-base no padroeiro ou padroeira da cidade. Com que orgulho os familiares se deixavam mostrar pendurados nas janelas e até de pé nos estribos laterais. Esta posição era disputadíssima entre os homens, assim como o sonho de consumo da molecada era viajar deitado nos tetos dos ônibus da colônia, um cercadinho onde os passageiros deixavam as malas.

Os com mais de 18 anos disputavam o estribo, segurando-se na carroceria e às vezes em equilíbrio precário, segurando o chapéu com a mão para impedir que voassem com a “espantosa” velocidade de 40 ou 50 Km/h. Então o pingente – na cidade grande era o que se pendurava nos estribos do bonde – se voltava para a lateral para ver e ser visto. Dava um status monumental, despertando inveja para quem não tinha condições de comprar um automóvel, chamado de “auto”.

Desnecessário dizer que ter um pai dono de um auto aumentava consideravelmente as chances de uma garota bonita pela qual se era apaixonado fazer olhinho para a gente.

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