Jornalismo fiel

18 fev • A Vida como ela foiNenhum comentário em Jornalismo fiel

Sempre digo que o jornalismo mais fiel é o da reportagem policial. Ele dá a idade, profissão, detalhes da vida, como marca do carro quando é acidente, enfim, forma um perfil que as editorias de economia não dão. De alguns anos para cá, logo após o nome, vem a idade. Os americanos fazem isso sempre. Devia ser obrigatório aqui.

Bueno. Claudio Frederico Vogt, um coronel do Exército reformado, tem um blog (www.escritorcfvogt.blogspot.com.br) no qual conta causos da sua mocidade na cidade gaúcha de Sarandi sob sua ótica de forma saborosa. O jornalismo moderno desaprendeu a arte de contar histórias. Tudo dá uma, mesmo coisas bem técnicas.

Ao caso do coronel, então. Um trecho:

“Começou uma briga entre dois torcedores. Com caipirinha nas veias, um queria acabar com o outro. No auge da fúria, faltou luz na Cidade. Ninguém via nada! Havia o risco de alguém ser atingido por uma cadeirada perdida. Ciente do perigo, fui me proteger na sala do Presidente. Fiquei na porta aguardando os fatos. O ecônomo não tinha nem lanterna. Contar com a sorte fazia parte da nossa cultura. Seguiram-se momentos de suspense… O brigão, que se achava mais esperto, cometeu um erro estratégico: acendeu um fósforo! Tomou uma bofetada cinematográfica! Os palitos de fósforo voaram! A situação piorou: sem luz, sem fósforo, sem lanterna, com um ferido.

Palitos de fósforo voaram é muito bom, assim como bofetada cinematográfica. Mas a melhor delas é a cadeirada perdida.

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