Os cabarés de Porto Alegre (II)

7 ago • A Vida como ela foiNenhum comentário em Os cabarés de Porto Alegre (II)

 Como escrevi na edição passada do blog, as casas noturnas de hoje, depósitos de garotas de programa disponíveis prêt-à-porter, nada têm em comum com os cabarés que existiam na Capital até o início dos anos 1980 (o auge foram os anos 1960), a não ser as mulheres que vendem o corpo. Em primeiro, o layout das “casas da luz vermelha”, na concepção interiorana de “zona”, era improvisado a partir de residências de classe média, preferencialmente, com vários ambientes.

 É claro que oferecia bebidas, servidos por garçons, o mais famoso era o Jorginho, da Mônica, que usava um casaco de pele caríssimo. Assim como havia música e uma pista de dança para dar fim aos constrangimentos masculinos. Por isso que os homens bebem nas casas noturnas e antes do sexo, porque têm medo de mulheres que tomam a inciativa. Em alguns casos, ele broxa. O macho precisa de um trago para se aprumar de novo. Era assim e ainda é assim, vão por mim, para rimar.

 Então, você ia aos cabarés em turma, especialmente os mais jovens, raramente sozinho, a não ser que já tivesse um programa agendado. Mesma coisa, em grupo todo mundo fica valente e viril, pelo menos na aparência. A música, quase sempre mecânica, não era de rock and roll, nem Jovem Guarda. Tocavam boleros, sambas-canção, que ninguém mais compõe, poucos sabem o que seja, standards das grandes orquestras e, de vez em quando, um samba mais sacudido. Você dançava de rosto colado, corpo colado, devagar ma non troppo. Aquela história de beijos de língua para todo mundo ver é coisa de onanista – vejam no Google o que é -, de amador sexual.

 O garçom quase sempre era gay, contido, ou não. Não era incomum que alguns vendessem perfumes, batons, maquiagem etc para as mulheres, giletes e desodorantes importados aos homens. Qualquer gesto ou ação mais violenta e lá vinha o leão de chácara para primeiro acalmar, depois para dar umas porradas no mal educado. Não havia quase motéis em Porto Alegre, dois ou três, então se usavam os quartos da antiga residência. Por isso a escolha desse tipo de imóvel, e não espaços maiores.

 Então vinha a hora da cama.

(continua amanhã)

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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