O cão eleitoral

25 out • Caso do DiaNenhum comentário em O cão eleitoral

No tempo em que não havia campanha política sem comícios, uma atividade eleitoral brasileira que foi praticamente extinta, salvo em algumas cidades do interior do Nordeste, era comum a presença indesejável de dois personagens; o bêbado e o vira-lata. Se a balaca de que o Rio Grande do Sul é o estado mais politizado do país, o que é uma solene asneira, daria para dizer que somos tão superiores que aqui até cachorro acompanhava comício para ver em quem iria votar, se possível fosse.

As campanhas eleitorais hoje são tão insossas que até cusco saiu delas e frequenta estádios de futebol. Mas havia cachorros e cachorros nas campanhas. Nem sempre eram dóceis. Os mais invocados são cachorros de sem-teto – também os mais fieis a esses donos. É até comovente essa afeição.

Um vereador de Porto Alegre, já falecido, dizia que fazer campanha eleitoral em vila tinha três coisas desagradáveis: comer carreteiro preparado pela mãe do cabo eleitoral, aguentar o me-dá-um-dinheiro-aí de bêbado e caminhar com cusco latindo nos calcanhares. Mas tem coisa pior, aguentar essa barra toda e ainda perder a eleição.

Que foi o caso.

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