Lar doce lar

26 abr • A Vida como ela foiNenhum comentário em Lar doce lar

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Perambulando pelas memórias da minha infância, esbarrei com a lembrança do mais aconchegante lar que tive depois da casa dos meus pais. Nas minhas férias, em São Vendelino, passadas na casa do meu tio Sireno Selbach, que era titular do cartório do vilarejo, eu vivia de nariz farejando sinais de chuva.

Assim que ela começava, saía correndo para me abrigar no celeiro (nós o chamávamos de paiol), uma construção rústica que abrigava duas vacas leiteiras na parte mais baixa, no térreo um banheiro, espaço para guardar ferramentas e para pequenas tarefas tipo debulhar milho; no sótão, feno em geral e palha de milho seca para alimentar as duas vacas e, acho, um cavalo.

Para completar, o telhado era de zinco, então vocês podem imaginar a sinfonia em caso de chuva. Eu subia e me enterrava nas palhas tipo tatu, curtindo o barulho de chuva no telhado. Podia ficar horas no meu segundo útero e dormiria lá, se minha tia Ermelina deixasse. No meu conceito de felicidade, melhor que isso só nadar no Arroio Forromeco. Em terceiro lugar, vinham as noites de lua cheia iluminando o vale e a encosta das montanhas com seus matagais. Rapaz, aquilo era o paraíso. Os cheiros das vacas e do feno misturado com um ar puro, sem nenhum tipo de poluição, principalmente a sonora, eram algo.

Como eu era feliz naquele celeiro.

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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