Falta alguém em Nuremberg

21 mai • Caso do Dia, Notas1 comentário em Falta alguém em Nuremberg

Human skull and crossbones drug addict concept

   Olha, cansei da hipocrisia nessa história de drogas. Não sei como fazer, também sei que só na marra não deu certo, mas enquanto a ponta, o usuário, não for atacada, nunca conseguiremos redução no uso nem fragilizar o tráfico. Perguntem, pesquisem, em torno de 70% dos usuários de drogas como a cocaína a usam recreativamente, poderiam perfeitamente viver sem ela. Apenas 30% são o que chamamos de viciados – que não eram viciados na primeira cheirada. Sem atacar o usuário, o crime só crescerá.

   Ficam todos dizendo “não dá, não dá, não é por aí”. Então, se ficarmos repetindo que não dá, aí mesmo é que não dá.

   Foto: Freepik

Como melhorar Porto Alegre

crédito Tonico Alves

   O Brasil de Ideias da Revista Voto, da Karem Miskulin (minha gurua, na foto), juntou o empresário Leonardo Fração (Instituto Floresta) e o presidente da colenda, Valter Nagelstein (MDB). A temática foi como Porto Alegre pode melhorar. Entre outras sugestões, Fração sugeriu destinar parte do IPTU para a Guarda Municipal, via Lei de Incentivo à Segurança. Nagelstein falou sobre melhorias feitas na Câmara de Vereadores, como a usina de energia solar, que custou R$ 1 milhão, e o telhado verde.

   Foto: Tonico Alvares

Bom para todo mundo

   Interessante foi ouvir Leonardo Fração. O Instituo que preside doou, não faz muito, 46 viaturas para as polícias gaúchas, especialmente para a Brigada Militar. Ele tem um mantra, em vez de só ficar se queixando faça e cobre depois. Na época, houve gente torcendo o nariz por achar – a velha suspeita inata nossa – de que esse grupo de empresários do Floresta queria algum troco ou benefício do governo. Esqueceram que empresário também gosta de segurança, e gostaria que todos tivessem uma. É bom para os negócios uma cidade tranquila, se estão exigindo o motivo da doação.

Remember

   Da horta da Luzia: lembram quando só existia o cheque pré-datado para o varejo, e os caixas grampeavam nele o aviso “Bom para o dia tal?”.

Remember II

   O Walmart quer sair do Brasil, menos na área de supermercados. Segundo o jornal Valor Econômico, o private equity Advent International estaria disposto a pagar entre R$ 7,5 a R$ 8,5 bilhões.

O Cruzeiro

   A empresa do Grupo Herval, de Dois Irmãos, a iPlace  acaba de fechar como patrocinador oficial do Cruzeiro. Isso sim que é contemplar as minorias. O Cruzeiro, diziam as más línguas de antanho, era um clube com apenas 18 torcedores. Então não eram torcedores, eram testemunhas.

Positivo operante

   Um monomotor caiu na região de Manaus matando piloto e copiloto. Na busca, foram encontradas ouro em barras. Na nota da Delegacia de Itacotiara lê-se que “encontramos as barras de ouro que, somadas, totalizam 9,5 quilos do elemento químico”. Maravilha. No meu dedo anelar esquerdo devo ter só alguns gramas deste elemento químico.

Jornal do Comércio

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Tecnologia

farsul Foto Gerson Raugust Divulgação Sistema Farsul

   O presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, acompanhado de diretores e assessores da Farsul e Senar-RS visitaram, na sexta-feira, o Parque Tecnológico São Leopoldo (Tecnosinos), da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). O objetivo foi conhecer a estrutura e os programas do Tecnosinos, além e startups que desenvolvem projetos para o agronegócio, na incubadora tecnológica Unitec, e o Instituto Nutrifor, que desenvolve pesquisa em alimentos.

   Foram recepcionados pelo reitor da universidade, Pe. Marcelo Fernandes de Aquino, que fez questão de receber o grupo antes de embarcar para compromissos na China e Coreia do Sul. Ele destacou a importância da aproximação entre a pesquisa acadêmica e aqueles que serão beneficiados com o desenvolvimento tecnológico.

   Foto: Gerson Raugust/Divulgação Sistema Farsul

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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One Response to Falta alguém em Nuremberg

  1. Renato disse:

    É muito compreensível sua posição em relação as drogas ilícitas, há muita dor e sofrimento causados pelo fato de algumas pessoas tomarem a decisão de usá-las (ou serem usadas por elas).
    Entretanto vivemos em uma sociedade livre em que a vontade individual deveria ser respeitada, desde que não fira a liberdade alheia. Aí muitos pensariam: Ah e todos que morrem em função da violência gerada pelo tráfico de drogas?
    Aí fica uma reflexão, o que é pior para a sociedade, o uso das drogas ou o fato da lei empurrar a venda delas para o crime organizado? Legislar a moralidade é uma receita para o fracasso. Mesmo que haja ímpeto de bondade na vontade de punir os usuários, quem nos deu o poder de decidir o que é melhor para o outro?
    Ken Burns possuí uma fantástica série de documentários sobre a 18° Emenda dos EUA, onde é retratado as consequências da Lei Seca, e apresenta os motivos que levaram a revogação desta política. Durante sua vigência a 18° Emenda possibilitou o fortalecimento do crime organizado nas décadas de 20 e 30 do século passado. Porque a mesma receita surtiria resultados diferentes quando aplicada contra entorpecentes como a cocaína e a cannabis?
    Restringir o uso destes entorpecentes apenas ao percentual de dependentes químicos seria equivalente a proibir o uso social do álcool, permitindo beber somente quem fosse alcoólatra. Aceitar legalmente o uso de uma substância em hipótese alguma deveria ser visto como uma afirmação de que ela não traz prejuízos. Penso que ambos os lados extremos desta discussão não possuem uma solução viável para a questão.
    Se num futuro próximo a repressão ao usuário for implementada, poderíamos ver uma superlotação do sistema prisional e judicial jamais antes imaginada. Todas as pessoas buscam seus prazeres em substâncias químicas, seja café ou cigarro, uísque ou frituras. Quem nos deu o poder de oprimir aqueles que preferem químicos diferentes dos nossos?
    Teremos de amadurecer muito como sociedade antes de estabelecer uma forma sensata para lidar com a situação do tráfico ilegal de entorpecentes. Para que os prazeres de um não sejam a causa do colapso social de todos.

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