O falso brilhante

13 nov • A Vida como ela foiNenhum comentário em O falso brilhante

 Entre as várias profissões que desapareceram com os tempos modernos está a de vendedor de carros usados que os buscava em São Paulo ou Rio de Janeiro para revendê-los no interior do Rio Grande do Sul. As cegonheiras não existiam na época, pelo menos não no formato e tamanho que conhecemos hoje. O negócio funcionava assim: depois de receber avisos de parceiros paulistanos ou cariocas, o cabra se mandava de ônibus da Viação Cometa e os trazia rodando.

 O interessante era que nunca vinha Fusca – ou Fuca, na gíria dos anos 1960. Os mercados de lá absorviam imediatamente os carros de segunda mão, hoje pomposamente chamados de seminovos. Eu preferiria semivelhos. É como copo meio cheio ou meio vazio. Os modelos preferidos eram os “grandes”, Simca, Aero Willys. O mais procurado era o francês montado no Brasil, com um motor raquítico de 85/90 HP apesar dos oito cilindros.

 O que tornava o Simca interessante era o ronco do motor, com aquelas borbulhas típicas dos motores V8. Um popular 1.0 de hoje vai de zero a 100 Km/h mais depressa que o Simca. Mas era confortável e a suspensão MacPherson era muito eficiente e a mais simples, braço transversal, amortecedor, mola helicoidal e barra estabilizadora.

 A margem de lucro era grande. Mesmo que fosse carioca, os buscadores de carros diziam que era paulista. Gaúcho nunca gostou de “carro de praia” por causa da ferrugem. Isso só melhorou quando o aço siderúrgico passou a receber uma dose óleo de palma, o segundo mais vendido no mundo que vem a ser o nosso conhecido dendê.

 Mas que tal essa?

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