Von Braun da Serra

8 set • A Vida como ela foiNenhum comentário em Von Braun da Serra

Quando criança, eu tinha um medo do barulho de rojão e foguete. Tinha um em especial que era chamado de Pasqualini, provavelmente em homenagem ao único pensador do antigo PTB hoje PDT, Alberto Pasqualini. Além de ser nome de refinaria, em Canoas, coitado. Mas não há de ser nada, afinal os pedetistas tem o Carlos Lupi.

O Pasqualini foguete era fabricado pelos gringos da Serra Gaúcha. Como é sabido, gringo adora três coisas: largar foguete, comer passarinhada e jogar bocha. Era um pedaço de taquara com um saco cheio de pólvora amarrado na ponta. Subia muito, e o estrondo era ouvido a quilômetros. Fincavam um cano no chão e enfiava nele a taquara explosiva. Uma mecha era colocada num furo. Até que um dia, um Wernher Von Braun da colônia italiana se estrepou ao lançar o seu V-2.

Era uma festa de pais e mestres no Ginásio São João Batista, e, antes de servir o churrasco, o foguete foi montado na quadra de basquete/futebol de salão, no meio dos prédios. Já meio adernado, o cara que acende a mecha levou um tempão até conseguir acendê-la. Isso feito, ouviu-se um longo silvado, saiu uma fumaceira enorme tomou conta do pátio. E nada da engenhoca subir. Trancou no cano e ali ficou.

Quando tudo explodiu, eu estava a umas boas duas quadras de distância. Posteriormente, o relatório de danos mostrou que todas as vidraças em volta da quadra estavam quebradas, um horror a destruição. Quando lembro do causo, me volta um zumbido no ouvido.

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