Vaca sem terra

28 ago • A Vida como ela foi1 comentário em Vaca sem terra

major Pedro Olímpio Pires, estancieiro forte do Alegrete, gostava de frequentar a Churrasquita, na Riachuelo entre Borges e a Praça da Matriz. Era sempre recebido com honras de estado pelo proprietário, Eugênio Zimmer, e também pelo seu amigo, motorista e eventual guarda-costas Arsênio Marques, inspetor de Polícia nas horas vagas.

Certa feita, após uma lauta churrascada regada a libações, o major passou a ouvir as lamúrias de Arsênio, afinal ele era pobre como rato de igreja enquanto o alegretense era dono de mais de légua de campo, tanto que ele queria criar gado… Ambos foram às lágrimas, abraçados. Quanto a torrente cessou, o major comunicou ao amigo que lhe daria a melhor vaca do plantel para começar sua criação. Arsênio rejubilou-se. Porém, dois ou três uísques depois o presentado quedou sombrio.

– Major, estive pensando. Que adianta eu ter vaca se não tenho campo?

O major Pedrinho aquiesceu fazendo sim com a cabeça. Segundos depois, seu rosto se iluminou.

– Arsênio, quem sabe eu compro a vaca de volta? Pago à vista.

 Foi a vez do amigão abrir um sorriso do tamanho de uma cordeona escancarada.

– Fechado! O senhor acaba de fazer uma bela compra!

Se abraçaram novamente, aos prantos.

One Response to Vaca sem terra

  1. Marco Antonio Pires Assumpção disse:

    Alguns comentam que, de tão feliz, o Arsênio pagou a conta desta vez!

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