Um adultério duvidoso

16 jul • A Vida como ela foiNenhum comentário em Um adultério duvidoso

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Nestes tempos de protestos dos indiciados por algum ou outro malfeito, lembro de um episódio do senador Daniel Krieger. Nos tempos do regime militar, um político acusado de algum delito foi à televisão dizer que estava sendo vítima de uma calúnia. Krieger, que assistia ao desabafo do acusado, virou-se para um amigo e sentenciou:

– Pior que é uma calúnia verdadeira…

Conheci políticos que conseguiam mentir com tamanha ênfase que até eles mesmos acreditavam na sua inocência. Quando eu era repórter da área policial da madrugada da ZH, final dos anos 1960, o adultério ainda era crime, coisa que não faz o menor sentido, realmente. Mas para provar que ele se deu de fato, era um parto. Só em flagrante, com testemunhas, os dois deveriam estar em pleno Combate de Eros etc. Pois certa madrugada de deu uma tentativa de flagrante de chapéu de vaca.

O marido acionou o Plantão da Polícia Judiciária dizendo que sua mulher estava na cama com – para variar – seu melhor amigo, transavam. Tenho a vaga impressão que o delegado de plantão era o Diniz de Oliveira. Uma caravana policial foi ao endereço do indigitado traído, um sobrado no Menino Deus. Não rolou.

Mais tarde, o delegado me confidenciou que o marido abriu a porta e todos viram os corpos nus mais entrelaçados que corda de atracar navio. O amante negou que estavam transando debaixo das cobertas, o que todos estavam vendo. Ele negou com tanta veemência que as testemunhas ficaram na dúvida, os policiais ficaram na dúvida e o delegado ficou na dúvida diante de tanta persuasão.

Parece que até a amante ficou na dúvida, contou o policial mais tarde. Se esse negócio de autoconvencimento for verdade, acho que até o fogoso amante ficou na dúvida.

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