Quatro marcos

6 jun • A Vida como ela foiNenhum comentário em Quatro marcos

As eras, assim como as terras, são demarcadas. As mortes de Cauby Peixoto, Muahammad Ali, que eu conheci como Cassius Clay, e do ex-senador Jarbas Passarinho marcaram uma época em que fizemos um salto com vara rumo à perplexidade dos dias atuais. Quando morreu o jurista e ex-senador Paulo Brossard, eu ia escrever algo sobre o marco que ele foi. Mas esperei a do Jarbas Passarinho.

A morte de Cauby Peixoto marcou o fim do Brasil ingênuo e romântico, o fim de um estilo não só de música como da noite, essa entidade que abriga gente que canta o que acabou em cama e chora porque não acabou em cama. O boxeador foi um marco, o fim dos pugilistas subservientes.

Paulo Brossard e Jarbas Passarinho foram, no meu entender, os últimos tribunos de repercussão nacional. Os debates da dupla no Senado eram assistidos com fervor quase religioso, cada um defendendo seus pontos de vista, Arena ou o velho MDB. Mas se respeitavam e eram até amigos.

Ambos eram expoentes da política civilizada, que resvalou devagar, e depois cada vez mais rápido, para a Era da Selvageria. Os ingênuos morreram, e com eles nossa ingenuidade também se foi.

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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