Pastel de vento

13 fev • A Vida como ela foiNenhum comentário em Pastel de vento

Certa noite, apareceu na redação o falecido e querido jornalista Adão Oliveira, que fazia a coluna Conexão Brasília, do Jornal do Comércio. Morava em Brasília e, de vez em quando, pousava na planície para recarregar baterias.

Um dia em que estava por estas bandas, o Adão perguntou onde se comia um pastel especial de primeira. No Box 21, respondi, no Hortomercado da Quintino (Bocaiúva, a rua, quase esquina com a Cristóvão Colombo). Então vamos lá, ele falou.

Em lá chegando, fomos direto falar com o Bentinho, um dos sócios da casa, que tinha ótima reputação em Porto Alegre. Sentamos, e o garçom mal tinha empunhado a Bic para a comanda e o baixinho de Arroio Grande já fez o pedido:

– Quero seis pasteis – ordenou, peremptório;

– Seis? É para levar?

– Não, é para comer aqui mesmo.

E eu de boca aberta. Como é que o Adãozinho ia comer os pasteis enormes da casa? Mesma opinião do garçom.

– Senhor, nossos pasteis são tamanho GG! Dois já seria um exagero.

O Adão pulou nas tamancas.

– O senhor quer vender ou não quer vender os pasteis?

– Certo. São seis pasteis.

– Só tem um detalhe. Quero os pasteis sem recheio.

O cara do avental ficou perplexo.

– Como assim? Sem carne, ovo, sem recheio, só a casca? Pastel de vento?

– Isso mesmo.

Minutos depois colocaram à sua frente meia dúzia de cascas de pastel. Adão comeu-as todas. Algum tempo depois, ele chamou o garçom.

– Veja a conta. Mas quero um desconto, afinal não tinham recheio.

O diabo era que nunca se sabia quando o Adãozinho estava falando sério. O desfecho? Foi ruim para o meu amigo.

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