• Os três pontinhos

    Publicado por: • 16 dez • Publicado em: Caso do Dia

    Uma das mais notáveis diferença entre o português de Portugal e o nosso é que o de lá não tem subtexto. Por isso tem poucos filósofos, talvez o Spinoza seja a exceção. Mas eles acabam se entendendo. Ocorre que, por motivos outros, o brasileiro também deixou de ter subtexto, cria direta do baixo estoque cultural.

    Estava eu ontem na academia ouvindo alguém da rouparia comentando a ação da Polícia Federal na residência do deputado Eduardo Cunha, culminando com a frase carregada de ironia que chegava a transbordar “coitadinho do Cuinha…” Cheguei a ouvir os três pontinhos.

    Um desses armários pré-fabricados saiu molhado do box do chuveiro e começou a vociferar contra o coitado. Coitado porra nenhuma, esbravejava, como é que tu pode achar que um cara como o Cunha é coitado?

    Como isso virou praga zumbi, é bom sempre carregar três pontinhos na carteira. Eu os detesto, mas tem gente que só capta ironia com eles. Mesmo assim, é perigo igual. Tem gente que é analfabeto em três pontinhos.

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  • Os cinco pilas

    Publicado por: • 16 dez • Publicado em: A Vida como ela foi

    O Alfaiate estava sempre nas imediações da Praça da Alfândega, ele, sua cartola, guarda-chuva longo e um terno repleto de pedaços de cartolina colados ou costurados, com frases ou palavras ininteligíveis, típicas de pessoas com transtornos mentais. Mas era pacífico, ficava ali vendo a banda passar. Quando me via ao longe ia direto ao meu encontro.

    – Dá cinco pila pro cafezinho.

    O cafezinho custava nem dois na época, mas vá lá. Outra técnica dele era uma pergunta à queima roupa.

    – Délio Jardim de Matos, jornalista, quem foi?

    – Ministro da Aeronáutica do governo João Batista Figueiredo.

    – Garoto esperto. Me dá cinco pila.

    Certo dia, estava de saco cheio e nem um pouco disposto a conversar com o Alfaiate. Vinha da estacionamento do Theatro São Pedro desci pelo Rua da Praia Shopping aproando a Borges. Me alcançou na Rua da ladeira.

    – Não vem que não tem, Alfaiate. Estou sem dinheiro, até vou ao banco. Na volta falamos.

    Imperturbável, ele apontou para trás dele com o polegar.

    – Teu banco fica pra lá. Cinco pila.

    Pior que era verdade.

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  • O novo

    Publicado por: • 16 dez • Publicado em: Notas

    Foi tanta gente boa demitida pela imprensa gaúcha neste 2015 que daria para abrir um jornal novo zero bala com eles. Evidentemente, que um jornal impresso tem que ter respaldo publicitário, mas falo em conceito de redação.

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  • Big Bang

    Publicado por: • 16 dez • Publicado em: Notas

    Estou convicto e sustento essa tese há anos que o Brasil está maduro para uma novidade como O Pasquim dos anos 1960, que revolucionou a linguagem nos meios de comunicação; de uma novela como Beto Rockfeller (TV Tupi), que revolucionou as novelas nos anos 1970. Localmente, uma Rádio Continental também dos anos 1970 faz falta.

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  • O detalhe

    Publicado por: • 16 dez • Publicado em: Notas

    Mas e a web, perguntarão vocês. A internet deverá ser cada vez mais segmentada até o detalhe. Como disse o José Antônio Vieira da Cunha, no almoço de ontem do Clube de Opinião, tão segmentado como falar de plantação de eucalipto no subúrbio específico de uma cidade.

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