• Higienização de bombonas

    Publicado por: • 9 dez • Publicado em: Caso do Dia, Notas

    Leitor que sempre compra a bombona de 20 litros de um mesmo distribuidor de água mineral observou que a entrega (e a instalação/troca) foi um rapazote, que sofreu para botar a coisa no lugar. Depois de higienizar o bocal do garrafão com um lencinho embebido em álcool, presumivelmente, fez uma manobra desajeitada para colocar a bomba e a água se espalhou para todos os lados, contaminando toda a água.

    Boa notícia…

    Foi um progresso que os funcionários dos estabelecimentos que lidam com alimentos e lanches passassem a usar luvas apropriadas para o manuseio dos produtos que irão à boca do freguês. Foi um retrocesso o fato de os funcionários usarem as mesmas luvas por longos períodos, inclusive pegando objetos e outros materiais sabidamente contaminados, como os panos 24 horas, digamos. Por que aqui tudo tem que ser feito pela metade?

    …e outra má

    Carne de hambúrguer quando moída deve ser bem passada se o cliente quiser evitar a ingestão de microorganismos nocivos. Já o bife não apresenta esse mesmo perigo, mesmo não sendo bem passado. O que acontece é que a carne moída foi manipulada, e em contato com a chapa a parte interna não zera o contencioso de germens. Já o bife tem seus hóspedes indesejáveis queimados durante o preparo.

    Jornal do Comércio

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  • O recrutador

    Guy in hooded sweatshirt in the dark

    Publicado por: • 8 dez • Publicado em: Caso do Dia, Notas

    Um homem faminto e sujo que se rendeu em um remoto posto de controle pertencente aos aliados curdos dos EUA no deserto sírio. Parecia um João Ninguém, mas não era. Mohammed Haydar Zammar, 57 anos, foi o homem que recrutou os terroristas do EI de Bin Laden – que explodiram as Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001. Deitou falação, mas uma coisa de toda sua conversa fica claro, a que terroristas “adormecidos” ou não continuam planejando ações de vulto nos EUA. Jurou que não sabia porque recebeu ordens de fazer esse recrutamento. Talvez esteja falando a verdade. O segredo foi total e por isso os americanos foram pegos de surpresa.

    Adormecidos, mas atentos

    Agentes “adormecidos” foram muito usados pela espionagem soviética nos anos 1950 até o final da guerra fria. Desde criança eram treinados pela KGB como se americanos fossem, gíria, gosto de comida, filmes, tudo. Eram mandados para os EUA e lá até casaram e viveram anos e anos como cidadãos normais antes de um código secreto enviados em esquema pré-determinado os “acordassem”. O terrorismo faz a mesma coisa.

    Imagem: Freepik

    Por falar em adormecidos…

    Meu Deus, como a imprensa está secando o Jair Bolsonaro e a formação da sua equipe! Estou começando a aceitar a ideia de que a cúpula de muitas empresas de comunicação é formada por “adormecidos” e que agora acordaram. O código não é nada secreto: foi a vitória de Bolsonaro.

    …alguns acordaram

    Por enquanto há apenas choro e ranger de dentes. Mais adiante, certamente, partirão para algum tipo de ação. Principalmente se Bolsonaro fizer um bom governo, e a economia reagir, o desemprego cair e pelo menos parte da reforma da Previdência for aprovada.

    Jornal do Comércio

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  • A grana explica

    dinheiro grana

    Publicado por: • 7 dez • Publicado em: Caso do Dia, Notas

    O governador de São Paulo eleito, João Doria (PSDB), anunciou o quinto ministro do presidente Michel Temer como secretário de sua gestão a partir de 2019. Serão 20 secretarias, cinco a menos que as atuais. O que faz um ministro de Estado aceitar um posto inferior ao que teve? Primeiro, os vencimentos recebidos por um Secretário de Estado de São Paulo são muito superiores aos de estados como o nosso.

    Imagem: Freepik 

    A dolorosa realidade

    Segundo lugar, por mais que sequem o Grande Irmão do Meio, São Paulo é a locomotiva do Brasil. Todo país tem sua locomotiva. A dos Estados Unidos é a Califórnia. Essa é a dolorosa verdade gaúcha, como atrair profissionais de nomeada pagando o que se paga. Sem falar que os titulares destes cargos estão sempre na mira do tira e da imprensa, às vezes por falta de outro assunto.

    Bruxas soltas

    Colega de redação chama atenção para a quantidade de acidentes que acontecem na reta final do ano. Ontem tivemos vários. Dá para arriscar uma explicação. É o estresse de fim de ano, todo mundo correndo, pé embaixo no carro, falta de dinheiro para presentes, dívidas, o fim da mágica – para os adultos – do Papai Noel, ansiedade em sair de férias, reflexos afetados pela tensão a cada ano.

    Moral: de sangue doce, é mais difícil o azar se manifestar.

    Para chinês ver

    Resumo da ópera. O New York Times publicou uma matéria comparando o Brasil com os Estados Unidos, mas não no bom sentido. Os chineses, segundo o NYT, têm os mesmos problemas que nós e ambos correm o risco de “não chegar lá”, no popular. No texto do NYT, o artigo diz que os deuses, antes de destruir um país, o qualificam como “país do futuro”.

    Com os brios feridos, o editorialista Ding Gang, no Global Times, um dos produtos internacionais do People’s Daily, o jornal oficial do Partido Comunista Chinês, publicou um arrazoado negando o mérito da comparação. E na briga entre mar e rochedo, sobrou para o Brasil. Leia abaixo trechos do editorial do jornal do PCC. Dang morou três anos no Brasil.

    “A cultura brasileira faz o País ser inapto para a manufatura, e a população brasileira não está disposta a ser trabalhadora como a chinesa”, escreveu Dang, que diz ter “entendido bem” os motivos da perda de força da economia nacional.

    “De fato, o Brasil nunca teve uma indústria manufatureira forte e sofisticada. Mas a questão básica é por qual motivo a China atingiu sua industrialização, enquanto o Brasil a abandonou e foi para a direção oposta? Isso não é apenas uma questão de economia ou instituição, mas de cultura”, argumenta o chinês.

    “A cultura é o fator mais importante para atingir a industrialização. Isso inclui como as pessoas encaram seu trabalho, família, educação das crianças e acúmulo de riqueza”, disse. “Pode soar racista diferenciar o desenvolvimento baseado em cultura”, escreveu. “Mas, depois de ter morado no Brasil, você descobre a resposta. Os brasileiros não estão dispostos a ser tão diligentes e trabalhadores como os chineses. Nem valorizam a poupança para as próximas gerações, como fazem os chineses”, indicou. “Ainda assim, eles exigem os mesmos benefícios e bem-estar dos países desenvolvidos”, disse.

    Por fim

    Alguém aí que conheça a nossa realidade e esteja vacinado contra o nacionalismo mórbido, discordaria do editorialista chinês?

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    Das vidas que eu não tive, algumas certamente teriam sido muito chatas.

    • F. A. •

  • Direito adquirido

    Publicado por: • 7 dez • Publicado em: A Vida como ela foi

    Lembrei-me de um episódio ocorrido na antiga Cervejaria Brahma de Porto Alegre, a mim contado por um mestre cervejeiro aposentado. Os mais antigos devem recordar do famoso apito da fábrica na rua Cristóvão Colombo. Era o relógio de, pelo menos, meia dúzia de bairros, começando às 7h. O último apito era às 17h.

    Em meados dos anos 1960, a Brahma resolveu modernizar o sistema de produção e extinguiu algumas liberdades que vinha do tempo em que se amarrava cachorro com linguiça. Os funcionários do engarrafamento paravam algum tempo no meio da tarde porque cansavam a vista ao examinar visualmente longas fileiras de garrafas de cerveja, para ver se não tinha algum objeto estranho na bebida. A parada era acompanhada por uma caneca de chope.

    Pois essa benesse foi cortada, porque novos sistemas de controle dispensavam o olho humano. Então, não precisavam mais descansar os olhos e, por isso, não recebiam mais a bebida. Então, o sindicato da categoria entrou com uma ação alegando direito adquirido, tiveram ganho de causa e fizeram um acordo. Na hora de acertar os detalhes, o juiz perguntou se os funcionários queriam aquela meia hora que paravam em dinheiro ou diminuição equivalente na jornada de trabalho.

    Tanto faz, foi a resposta, mas o que eles queriam mesmo era a volta da caneca de chope, e bateram pé. A companhia concordou, mas surgiu um problema, o de beber na hora de serviço. Chegaram a um acordo. Além do almoço no refeitório, a Brahma pagaria também o jantar, desta vez, com o chope. A Brahma foi a única empresa na época a disponibilizar almoço e jantar para os funcionários.

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