• Concurso de garçom

    Publicado por: • 17 abr • Publicado em: A Vida como ela foi

         A figura do garçom até que é pouco lembrada nos milhares de textos sobre restaurantes, bares & assemelhados. Há uns 15 ou 20 anos, o jornal A Noite, poderoso rotativo de propriedade do já falecido meu amigo e jornalista Danilo Ucha, promovia o concurso “O melhor garçom de Porto Alegre”, patrocínio da Antárctica. Então eu pensei em criar o concurso “O pior garçom de Porto Alegre”. Morreu na casca, pena.

         O Careca era especial. Na churrascaria em que trabalhava, punha-se a ouvir a conversa dos clientes. Ficava de pé ao lado da mesa. Quando algum cliente o chamava, ele falava para quem estivesse com a palavra.

    – Segura ai o fim do causo que vou ali atender aqueles caras e já volto!

    Mas o melhor mesmo era um garçom antigo da Bar Naval do Mercado Público dos velhos tempos. Quando uma mesa com, digamos, quatro pessoas pedia cervejas, ele botava um copo a mais na bandeja. O dele, cujo conteúdo era rapidamente despejado no porão.

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    O homem cria a ferramenta. A ferramenta recria o homem.

    • Marshall McLuhan •

  • O salvador da pátria

    Publicado por: • 17 abr • Publicado em: Notas

    De maneira que, agora, é o ex-STF Joaquim Barbosa quem vai salvar o Brasil. Esse país não tem jeito. Como disse o dramaturgo Bertolt Brecht, infeliz da nação que precisa de heróis. Bastou seu nome botar a cabecinha para fora em uma pesquisa eleitoral, que já acham que ele pode ganhar a eleição.

    O homem certo no lugar errado

         Basta uma figura pública se salientar no seu campo de atuação que já o querem como presidente. Um bom juiz quase que certamente será um mau governante e vice-versa. Basta alguém ter uma boa lábia populista que já veem nele um líder de massas e infalível nos seus conceitos.

    Os imperdoáveis

         O eleitor  comum se agarra no primeiro indício de santidade que aparece na frente. Daí para surgir um fã-clube é um passinho. Dali para o surgimento de espertalhões que tirarão vantagem política e financeira é outro passinho. E daí para uma enorme frustração nacional, leva um pouco mais de tempo, mas ela fatalmente virá.

    Criminoso de guerra

         Quem deveria estar nos banco de réus da Corte Internacional de Genebra (ou Haia) é a Samsung e seu maldito corretor. Não bastasse eu estar em casa convalescendo da minha cirurgia, ainda tenho que consertar as bobagens comprometedoras que ele me apronta. Além dessa barbaridade, a tela deu para ficar insensível quando aciono a tecla desejada e sensível como nervo exposto quando não a quero. Assim mesmo, escrevi acionou e saiu “link”. Pode uma coisa dessas?

         Ou então, sabendo que reclamo muito do tablet, técnicos da Samsung estão me sabotando.

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  • Uma lenda no Mercado

    Publicado por: • 16 abr • Publicado em: A Vida como ela foi

    Meu nome é Zezinho, mas podem me chamar de o Último Samurai. Pelo menos de Bagé. É assim que o garçom do restaurante Gambrinus, do Mercado Público de Porto Alegre, gosta de se apresentar. Do alto dos seus impressionantes 1m60cm, segundo uma régua falsificada, Zezinho não aparenta a idade que tem, graças a uma mistura de raças que inclui leves traços japoneses, embora há quem diga que parece mais espanhol com  mouro.

    Zezinho já foi garçom titular do famoso restaurante Tia Dulce, na avenida Independência. Palco de memoráveis madrugadas pregadas a uísque e sopa de cebola nas frívolas madrugadas invernais, entre os anos 60 e 80. Sabia tudo de toalhas brancas e cardápios coloridos, como também conhecia a vida pregressa dos frequentadores, especialmente dos alegres rapazes da banda. Quanto a esses detalhes, Zezinho é um túmulo. Nada a temer dele, portanto.

    Afeiçoado a trocadilhos e minipiadas, o Último Samurai mistura chistes com os pratos que apregoa, como salada de batata com bacalhau.

         – O peixe é nacional, mas a batata é inglesa.

       Existiram e ainda existem tantos Zezinhos em Porto Alegre e poucos exemplares tiveram suas histórias preservadas em prosa ou verso. Pena.  Dariam um bom e grosso livro.

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    Tem gente que não pode ver um mico que sai correndo para pagá-lo.

    • Jornalista Carlos Brickmann  •