• O café do patrão

    Publicado por: • 16 ago • Publicado em: Notas

     Celulares não batiam fotos, então eu não tenho registro desse acontecido que me fez cair o queixo. Nunca tinha visto coisa igual. Há três quadras dali, outro grupo de sem-tetos se reunia debaixo da marquise de um prédio ouvindo atentamente um sujeito que certamente algum dia teve recursos. As roupas gastas eram de boa qualidade. E bebiam bastante, mas sem arruaça ou quebra-pau.

    Publicado por: Nenhum comentário em O café do patrão

  • Feios, sujos e malvados

    Publicado por: • 16 ago • Publicado em: Notas

     Lembrei do episódio porque no sábado passado vi algo lamentável no meu bairro. Passaram por mim três farrapos humanos, sendo uma mulher, sujos, feios e malvados, como no filme do mesmo título. Um deles cuspia sangue em quantidade e caminhava adernado, acredito que parte pela bebedeira. Perguntei para o outro o que tinha acontecido. “Ele apanhou feio durante a madrugada, inimigos dele bateram pra quebrar”, foi a resposta, sem nenhum sinal de pesar ou de pena. Eram mais três perdidos numa noite suja.

    Publicado por: Nenhum comentário em Feios, sujos e malvados

  • Porque Pedro Simon é O Cara

    Pedro Simon começou na política em 1970, diz Fernando Albrecht

    Publicado por: • 15 ago • Publicado em: Caso do Dia

     Nesse mar de mediocridades que assola o País em todas as áreas, não nos damos conta de que existem ilhas de decência e uma delas é ocupada por políticos como Pedro Simon. Com mais de 80 anos, segue na sua pregação pelo Brasil chamando a atenção para a necessidade da política, uma necessidade que, às vezes, não nos damos conta. Mas o veterano senador, como eu ainda o chamo, tem qualidades extraordinárias, começando pela sua coerência e retidão.

     Você pode não gostar dele ou do seu partido mas, reconheça, ele não fica por aí batendo no peito como o fariseu da Bíblia dizendo que é honesto e que nunca prevaricou, roubou ou que deixou roubar como tantas outras falsas vestais e santinhos-do-pau-oco. Eu o acompanho desde os anos 1970, e sinto que nunca passou na sua cabeça achar que honestidade nada mais é que uma obrigação, não artigo de se colocar na vitrine.

     Existem muitos outros Pedros Simon no Brasil, então nem tudo está perdido, irmãos e irmãs de desalento. Sinto-me confortado quando o vejo, porque além de tudo ele me remete para uma época em que o ódio era exceção e não regra. Tempos que, obviamente, não voltam mais.

     Essa é a tragédia da minha geração, especialmente. Buscamos o tempo perdido sob forma de etéreas lembranças. Como na música A Felicidade de Tom Jobim.

     A felicidade é como a pluma

     Que o vento vai levando pelo ar

     Voa tão leve

     Mas tem a vida breve

     Precisa que haja vento sem parar

    Publicado por: Nenhum comentário em Porque Pedro Simon é O Cara

  • As histórias da Polícia segundo o Comissário

    Publicado por: • 15 ago • Publicado em: A Vida como ela foi

     Quando houve a reestruturação das Polícias Civil e Militar, na segunda metade dos anos 1960, a Polícia Civil gaúcha deixou de usar uniforme, os famosos “ratos brancos” da música Alto da Bronze. Usavam quepe e parecia como a polícia de Nova Iorque como a conhecemos. Entre outras funções, eles também controlavam o trânsito, incluindo o manejo manual da abertura do sinal em cruzamentos mais complicados.

     O novo Estatuto da Polícia exigia que os Delegados fossem bacharéis em Direito, e os inspetores e comissários tinham que ter o segundo grau. Parte dos que já estavam na corporação tinha que passar por uma espécie de “exame da Ordem”. Para evitar claros nas fileiras da Polícia, a banca examinadora pegava leve nas perguntas.

     Um destes examinadores foi o delegado Antônio Diniz de Oliveira, que depois foi Chefe de Polícia, já falecido. Certa vez, ele me contou como se deu a prova oral com um conhecido comissário, apelidado de “Tio Z…” antes de virar moda garotas chamarem de tio alguém com mais de 40 anos. Sabendo da sua parca erudição, o delegado Diniz fez perguntas simples, básicas, que qualquer policial sabia de cor e salteado.

     – Me diz aí a primeira estrofe do Hino da Polícia.

     Não saiu nada.

     – Quando foi fundada a Guarda Civil do Rio Grande do Sul?

     Silêncio. Diniz foi para outra questão facílima

     – Então, me conta alguma coisa da história da Polícia durante todo esse tempo.

     O tio Z. saltou na cadeira.

     – Ih, delegado, tais querendo me comprometer? Eu, hein? Olha se vou dar uma de jacaré e contar as histórias da Polícia…

    Publicado por: Nenhum comentário em As histórias da Polícia segundo o Comissário

    Não há justiça para os mortos.

    • F. A. •