• A festa do dinheiro

    Publicado por: • 17 ago • Publicado em: Notas

    Olhem o que escreve meu amigo Carlos Brickmann (www.chumbogordo.com.br):

    A próxima campanha já tem, garantidos, R$ 5 bilhões e 400 milhões de recursos públicos – o seu, o meu, o nosso dinheiro. Há 3,6 bilhões a dividir pelos partidos; há R$ 1,8 bilhão gastos no pagamento das emissoras pelo horário “gratuito”. Há ainda o Fundo Partidário: perto de R$ 1 bilhão por ano, pingando mês a mês no caixa dos partidos.

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  • O Jacão sabia das coisas

    Publicado por: • 16 ago • Publicado em: Caso do Dia

     A Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa aprovou projeto de lei do deputado Gilmar Sossella (PDT) que possibilita a reutilização de sobras de alimentos de restaurantes para entidades de assistência social, noves fora o fornecimento de restos de alimentos que ficam no prato. Sempre fico com medo desse “obrigatório”, de tudo ter que ser na marra da lei. O que falta é o Sossella dizer quem vai bancar os custos logísticos, incluindo a refrigeração.

     O pioneiro do reaproveitamento foi o falecido vereador Jaques “Jacão” Machado, nos anos 1980, com seu sopão do pobre na Zona Norte. Ele teve a mesma ideia, mas em vez de propor uma lei partiu para o exemplo. Percorreu fruteiras, restaurantes e a Ceasa para conseguir apoio. Deu certo, porque o sopão do pobre alimentava centenas de pessoas a custo zero. A ideia foi copiada por algumas entidades e, pelo que sei, por muitos estabelecimentos.

     A lembrança do meu bom amigo fez lembrar uma coisa que falta para nossos políticos. Faltam mais Jacões para matar a cobra e mostrar o pau.

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  • Meu pequeno paraíso

    pitangueira

    Publicado por: • 16 ago • Publicado em: A Vida como ela foi

     O município de São Vendelino, que adotou o slogan oficial de “Pequeno Paraíso”, tem renda per capita de US$ 17 mil – US$ 20 mil é considerado índice de país desenvolvido. Para quem não sabe, foi lá que nasci. Saudades da minha infância e adolescência, do meu arroio Forromeco, dos primos, amigos, das paisagens que já se foram e não voltam mais, daquele dia em que, estava olhando para um dos morros, percebi, espantado, que o som de um homem rachando lenha só chegava aos meus ouvidos depois da machadada, meu batismo em Mach 1, a velocidade do som.

     Eu deveria ter seis anos, quando muito. A cena está tão nítida na minha cabeça que sinto até o cheiro do pão de milho que a empregada Rosa assava no forno a lenha naquele preciso momento. Engraçado, meu amigo Proust, ainda vejo a cena, a hora, meio da tarde, mas não lembro da cara da Rosa, só que ela era grande – e quem não era grande para nós pequenos? – e que era ruiva.

     Plantei uma pitangueira em um grande vaso em uma das sacadas do meu apartamento. Eu acaricio seu magro tronco quando saio de manhã cedo. Ela chegou a estar carregadinha de pitangas, mas sinto que falta-lhe espaço. Quando eu comia uma, imediatamente era transportado para minha ilha particular em São Vendelino.

     De uma represa artesanal, que não existe mais, saía um canal que alimentava o moinho colonial distante uns bons 600 metros – para mim eram 500 quilômetros de pura fantasia. Em um trecho, o curso da água criou uma pequena ilha, um pedaço cheio de pitangueiras, um frescor só no verão. Fiz uma ponte com tábuas e me refugiava na minha ilha do Tesouro, não sem antes tirar a tábua. Era meu reino, meu lebensraum, meu espaço vital.

     Hoje, não quero mais voltar para lá. Mudou tudo, vieram as indústrias e o progresso. Dos meus amigos de infância restam poucos, e meus primos moram em outras cidades. Se existir mesmo outra vida e a ela eu tiver acesso, é na minha pequena ilha que quero passar a eternidade, naqueles poucos metros cheios de pitangueiras e felicidade, que me alegram e me doem ao mesmo tempo quando deles me lembro.

    Foto da internet, sem identificação do autor 

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    Eu, como repórter de um tempo mau, fiz a terra tremer várias vezes.

    • Plínio Marcos •

  • A vida com certo respeito

    Publicado por: • 16 ago • Publicado em: Notas

     Há muito tempo, sou observador dos moradores de rua e seus hábitos. No início dos anos 2000, assisti a uma cena inusitada na rua Santo Antônio, no prédio ao lado de um Posto Ipiranga, antiga sede da MPM Propaganda. Sete ou oito deles serviam um café da manhã de forma obsequiosa para o líder do grupo. Ele sentou no meio de uma “mesa”, uma tábua comprida escorada em duas pilhas de tijolos. Depois do chefe eles se serviram.

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