• O pingüim

    Publicado por: • 10 jan • Publicado em: A Vida como ela foi

    “… a manchete foi uma pérola”

    Não é de hoje que o verão gaúcho tem a capacidade de esvaziar o mundo das informações. Pára tudo. Quem não está de férias, está sem assunto. Os políticos somem. As agências de publicidade sempre se queixam que os anunciantes não deveriam ficar ausentes neste período. Mas ficam. Ou diminuem. Até porque os executivos das empresas estão todos salgando o lombo nas praias gaúchas e catarinenses. Mais para o final da década de 60, Porto Alegre tinha seis jornais diários e um era o Diário de Notícias, do então poderoso Diários e Emissoras Associados, de Assis Chateubriand. Num final de semana de fevereiro, sem nenhum assunto de maior importância para ocupar a capa, o jornal botou uma enorme foto de um pingüim que deu com os costados em Torres. A manchete foi uma pérola: “Apareceu um pingüim em Torres!”, assim mesmo, com exclamação. E logo abaixo, no que se chama no jargão jornalístico linha de apoio: “Sabe Deus de onde ele veio!”. Provavelmente do Saara. Ou do Caribe.

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  • A traição da cozinheira

    Publicado por: • 9 jan • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…sorte tua, azeitona só nessa”.

    O falecido chargista Sampaulo, que Deus o tenha, gostava muito de contar uma que aconteceu com ele envolvendo empadas e azeitonas. Na rua André da Rocha, havia um bar especializado em reunir jornalistas e boêmios, também famoso por suas empadas, pequenas porém saborosíssimas. O propreitário do estabelecimento, conhecido mão-de-mulita, gabava-se que azeitona era artigo muito raro no quitute, porque cara. Por alguma razão, encanzinou que azeitona comia seu lucro. Mania de biriteiro, claro. Bueno. O Sampa chegou lá numa manhã de sábado e pediu uma empada. Ela veio, ele comeu e, triunfante, exibiu a azeitona escondida no miolo. – Sorte tua, foi só nessa – disse o proprietário. Sampaulo então pediu outra. De novo encontrou uma azeitona. – Coincidência, acontece – falou, mas já de cara amarrada, olhar atravessado para a cozinha. Na terceira empada comida por Sampaulo, outra azeitona. – Vai ver a cozinheira se enganou. Na quarta sorte grande azeitoneira, o dono do bar não falou mais nada. Levantou, foi para a cozinha e deu uma porrada na cozinheira

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  • Uma tampinha como testemunha

    Publicado por: • 8 jan • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…o Coelho engoliu um desmentido maior e mais indigesto que sapo barbudo”.

    No início dos anos 70, a Antárctica comprou no maior sigilo a Cervejaria Polar, de Estrela. Eram outros tempos e acionistas minoritários não tinham os direitos que tinham hoje. Muitos entraram pelo cano, e não foi cano de barril de chope. Era titular do Informe Especial de Zero Hora o falecido e inesquecível jornalista Carlos Coelho. Sabujo velho, pai de todas estas colunas que andam por aí, farejou o negócio e deu uma nota na sua coluna. Deu rebuliço do grande. Como ainda faltavam detalhes para fechar o negócio, ambas as partes negaram veementemente a transação e Coelho foi obrigado a engolir um desmentido maior e mais indigesto que um sapo barbudo. Dias depois, estava Coelho e este que vos escreve no bar Porta Larga, que ficava ao lado e ZH, quando alguém pediu uma cerveja Antárctica. O Coelho pegou a tampinha e, olhando por olhar, ficou surpreso ao ler na borda que estava escrito “Fabricado pela Cervejaria Polar”. Confirmado. Coelho voltou para o jornal e confirmou a transação. Via tampinha. Desta vez, ninguém desmentiu.

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  • Histórias do Miguelão

    Publicado por: • 7 jan • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…nasceram gêmeos, um branco e outro negro”

    O executivo Miguel Pergher, diretor da Vinícola Aurora, é um boa praça que engana. Não os clientes, mas a quem não o conhece e pensa que está conversando com um gringo ingênuo e com sotaque da “sera”. Engano. O homem é uma fera em matéria de vendas e informações sobre quem é quem e quem faz o que na área de supermercados e afins. Oriundo de Mato Perso, é uma espécie de sub-prefeito da praia de Paraíso, a 12 quilômetros de Torres. Dizem que ele chegou a colocar um caminhão de cloro no mar para ver se a água azulava como em Santa Catarina. Também quis construir um ferrovia para colocar um trem-bala ligando Paraíso a Torres – são 12 quilômetros. Tentou fundar a LAMP – Linhas Aéreas Miguel Pergher. Sua idéia era levar veranistas para Torres e na volta trazer morcilha de Terra de Areia. Outra história é que ele segue chamando o principal executivo da Aurora de “chefe do engarrafamento”, daí que nunca foi promovido… Na praia, ele tem dois cachorros de guarda. Na casinha onde ficam, lê-se os nomes Çazam e o Serife. Leitão à pururuca virou “leitão à pororoca” e quando almoça com amigos, na sobremesa pede “mamão papaya com licor de Caxias” (cacias, segundo o dialeto), em vez de Cassis. Mas a melhor foi quando saiu a notícia que nasceram gêmeos, um negro e outro branco. Ao ler a nota para um passageiro ao lado em vôo de São Paulo para Porto Alegre, espantou-se com os detalhes genéticos dos gêmeos: – E os dois tem o mesmo BNH!

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  • O caso do ouro alemão

    Publicado por: • 4 jan • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…é ouro alemão, legítimo”

    Sobre os otários que caem no golpe do “compro ouro velho”, há um antecedente. Nos anos 60, existia em Montenegro uma figura folclórica, o Jorge, que tinha como ofício, entre outras picaretagens, a venda de jóias para os colonos do Vale do Caí. Ele percorria a colônia com seu Ford Modelo A e apresentava-se como especialista em ouro. – É ouro alemão, legítimo – garantia, para depois cochichar no ouvido dos otários: – Um parente me trouxe, sem imposto, muito barato. E de qualidade superior ao ouro brasileiro. E a colonada embarcava, porque a lábia do cara era impressionante. Claro que era uma mistureba braba de metais, o chamado “ouro de tolo”, mas o preço baixo e o brilho intenso convenciam a rapaziada. Venda feita, o Jorge se escafedia, porque, em poucas semanas, o metal vestia luto. Daí que, prudentemente, ele não fazia o que hoje se chama de pós-venda. Só que um dia ele esqueceu desta regra de ouro e voltou ao local do crime. Foi imediatamente cercado pelos compradores, que reclamavam da oxidação. Imperturbável, ele olhou as peças e partiu para o ataque. – É, eu sabia que ouro alemão não ia se dar bem com o nosso clima. Fosse hoje, ele ganharia algum prêmio de vendas.

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