• Um conselho de panzer

    Publicado por: • 13 fev • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…nein, nein, eu quero um chope e em copo, pequeno”

    O já falecido comerciante Francisco José Albrecht, nascido em Isny in Algau, Alemanha, chegou ao Brasil em 1920 e se radicou no Vale do Caí. No início dos anos 50, ele voltou à Alemanha para visitar seus pais. Cumprido o roteiro familiar, o velho Franz Josef deu uma esticada em Munique e obviamente foi molhar as idéias na famosa cervejaria Hofbrauhaus, um estabelecimento com mais de 400 anos. Na incursão cervejeira, Albrecht teve a companhia de um turista brasileiro, descendente de alemães mas com pouca ou nenhuma ligação cultural, lingüística e etílica com seus antepassados. Instalados numa mesa, pediram cerveja, servido naquelas enormes canecas de um litro. Aí veio uma alemoa parruda carregando cinco canecas cheias em cada mão. – Nein, nein, quero um chope em copo, pequeno – disse o brasileiro em português. A garçonete, talvez um protótipo do primeiro panzer Tiger, só entendeu o “nein”. Olhou interrogativamente para o parceiro, que explicou a ela em alemão o pedido do seu amigo. Ela suspirou, revirou os olhos, largou as canecas na mesa e afagou a cabeça do brasileiro, homem dos seus 50 e tantos anos. – Wir verkaufen kein Bier für kinder. Bitte, kommen Sie wieder wenn Sie erwachsen sind. E deu meia volta para servir outras mesas. Albrecht caiu na gargalhada. Curioso, o brasileiro pediu a tradução. Quando a ouviu, fechou a cara. Significava: – Não vendemos cerveja para crianças. Por favor, volte quando tiver crescido

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  • A sogra do taxista (final)

    Publicado por: • 12 fev • Publicado em: A Vida como ela foi

    “E ela se foi porta afora. Veio a hora do almoço e nada dela aparecer…”.

    – Bom, minha sogra recusou uma carona, dizendo que ia de ônibus. E meu sogro com aquela cara de quem ouviu no rádio a descida de um disco voador. Nem piou. E ela se foi porta afora. Veio a hora do almoço e nada dela aparecer; duas da tarde, e nada, cinco horas, e nada. Tipo sete horas da noite meu sogro me chamou, preocupado. Quem sabe ela se acidentou? Dá uma geral no Pronto Socorro, Delegacia de Trânsito…. Segunda sinaleira fechada. – …aí eu me fui. Não tinha registro no HPS, nem no Trânsito. E já passava das dez horas. Voltei pra casa. A essa altura, o meu sogro estava quase enfartando. Quarta sinaleira fechada. – Aí aconteceu uma coisa esquisita, cara. Quando eu ia saindo para registrar queixa de pessoa desaparecida, ela entrou. Sem pintura na cara, despenteada, vestido meio amarrotado, com uma ar de felicidade que nunca vi nessa mulher. Foi direto pro quarto alegando cansaço. Não deu uma palavra. O sinal abre e o motorista não arranca. Olha para lugar nenhum. Atrás dele começou uma sinfonia de buzinadas. Aí ele se vira para o passageiro. – O que tu acha? Será que essa velha botou um chapéu de vaca no meu sogro? O jornalista pensou, pensou, e resolveu dizer a dura verdade, até porque a essa altura o engarrafamento atrás do táxi se estendia por duas quadras. – Olha… eu acho que sim. Sim. Com toda a certeza, sim. Não tem outra explicação. – Pois agora é que eu me dei conta. Só pode ser isso – arrematou o genro. Minha sogra, quem diria…puta que o pariu! E só então engrenou a primeira e se foi. Mudo. E preocupado. Muito preocupado.

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  • A sogra do taxista (I)

    Publicado por: • 11 fev • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…nunca vi essa mulher com vestido curto, decotada, pintada, perfumada”

    Anos 70, auge da invasão dos argentinos no Rio Grande do Sul. Fim de tarde. Um jornalista entra num táxi no ponto da Borges de Medeiros rumo à redação de Zero Hora. Duas hermanas de meia-idade disparam graçolas em cima dele assim que ele entra. – Mira, que guapo! O motorista ri. Baixa a bandeira e segue rumo à avenida Júlio de Castilhos. – Tá com tudo, meu irmão! Uma coroa tem lá seu valor, não tem? O jornalista não estava afim de papo. Mas o taxista, sim. Loquaz como apresentador de programa de auditório, desandou a falar. E começou a contar um caso. Mudou a cara de risonha para séria. – Esse negócio de coroa dando em cima da gente….fiquei pensando na minha sogra. Olha, cara, eu estou casado há 15 anos, moro com meus sogros e nunca vi essa mulher com um vestido curto, decotada, pintada, jóias, perfume, nada. Nem as unhas ela pinta, sabe? E pra feia não serve. Nunca olhou nem para o vizinho, o que dirá dar trela. Não vai a baile, reunião-dançante. Nem em festa da igreja ela vai, imagina. O táxi pára na primeira sinaleira. O trânsito está pesado. – Aí, meu chapa, no domingo passado aconteceu um negócio esquisito. De manhã cedo, ela saiu cedo dizendo que ia visitar uma amiga de infância. Quase caí de costas quando a vi: de vestido curto, floreado, pintada, perfumada… O carro entra na Júlio de Castilhos. Outro sinal fechado. (conclusão amanhã)

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  • Os cornos do trabalhador

    Publicado por: • 8 fev • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…achou que sobrava luz do dia e sugeriu que trabalhasse das 5h às 22h”

    De um ricaço desses de aparecer na lista dos 10 mais da Forbes, conta-se uma história. Contratou um trabalhador e colocou-o a abrir rasgos na terra. Deu-lhe um horário de trabalho das 8h às 17h. Certo dia, observando o trabalho do seu colaborador, achou que podia ser melhor aproveitado. Sugeriu-lhe então o seguinte: – Ó amigo, já que você tem duas mãos, com uma mão você cava e com a outra vai regando. E comece a vir das 7h às 18h. No outro dia, o ricaço olhou outra vez para o seu colaborador e achou-o ainda pouco produtivo. – Já que você além das mãos tem também uma boca, podia enchê-la de sementes e enquanto com uma mão cava e com a outra rega, podia cuspir as sementes. E a partir de agora, começas a trabalhar das 6h às 19h. No outro dia, achou que sobrava luz do dia, portanto sugeriu-lhe que o seu trabalho passasse a ser das 5h até às 22h. E assim foi. Um dia quando o pobre diabo voltava para casa, deparou com a sua mulher com outro homem na cama. O homem, chorou, chorou, chorou vezes sem conta até que a mulher e o amante, desesperados com aquela situação, tentaram consolá-lo (!). Mas não seria choro demais apenas por guampa? – Não é nem tanto por isso. É porque se o patrão descobre que tenho dois cornos, coloca-me lá umas lanternas e põe-me a trabalhar à noite! Moral da história: nada está tão ruim que não possa piorar. (Colaboração de Harry Fockink)

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  • Uma amnésia carnavalesca

    Publicado por: • 7 fev • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…pegou seu Corcel II LDO e se mandou para Montenegro”

    Como já não se fazem mais carnavais como antigamente, também desapareceram os blocos do tipo “o que é que eu vou dizer em casa”, foliões que curtiram o Momo no xadrez. Folião desaparecer de casa para pular carnaval não chega a ser novidade. Bons e sólidos casamentos já foram pro saco por causa dessa compulsão. O diabo é que, depois de algumas biritas, a prudência vai para o beleléu. Mesmo os casados. Principalmente os casados, como foi o caso, nos anos 70, de um jornalista da praça, ainda vivo e atuante. Contam que ele saiu para cobrir o Carnaval para a emissora de TV na qual trabalhava e acabou cobrindo uma foliã, coleguinha de trabalho por sinal. Acordou na quarta-feira de Cinzas, com a cabeça que era um porongo. E agora, tio, qual a desculpa? Matutou, matutou, e fiat lux! Pegou seu Corcel LDO II e se mandou para Montenegro. Estacionou defronte à praça, sentou num banco e esperou passar um casal bem-vestido e com cara de gente séria. Quando o casal passou na frente dele, fez uma cara de confuso e disparou: – Onde estou? Como é meu nome?

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