• A loira do Chevette

    Publicado por: • 30 jan • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…os jornais se escandalizavam com esta invasão”

    Contou-se ontem o caso de um garanhão porto-alegrense e uma loira no antigo bar do Hotel Plaza Porto Alegre, o Plazinha, que completa 50 anos em agosto. Mas nem só de loiras mulheres, há casos. Em meados dos anos 70, quando os travestis começaram a atuar nas ruas de Porto Alegre, havia um famoso que atuava no entorno da praça Otávio Rocha. Buscava clientes com um Chevette, principalmente á noite. Visualmente falando, dava uma boa enganada mas só à primeira vista. Três segundos bastavam para se ter certeza de que se tratava de um homem. Na época, os jornais se escandalizavam com esta invasão e os malefícios que causavam á tradicional família pampeana. E dê-lhe editorial e matéria denunciando a sem-vergonhice. Menos da falecida Folha da Manhã, que achava um direito de travestis se virar, igual a prostituta. Daí que a loira do Chevette ficou amiga do pessoal da redação da Folhinha. Como sabia poucas e boas do que acontecia na noite e nas delegacias, virou fonte preciosa de informações. – Vocês não se enganem – dizia ela para a turma – a maioria dos clientes que me procurar não é para que eu desempenhe o papel de mulher, mas de homem mesmo. Isso acontece ainda hoje. Vide a rua São Carlos, paralela à avenida Farrapos. É incrível que cidadãos respeitáveis parem e façam programa com os travestis. Alguns em petição de miséria. E drogados. Pelo visto, e os depoimentos das loiras ou morenas com ou sem Chevette abundam, o lado feminino dos gaúchos é muito forte. Sobretudo depois de umas biritas. Aí sempre cabe a desculpa “eu estava bêbado, me enganei”. Conversa.

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  • A loira do Plazinha (conclusão)

    Publicado por: • 29 jan • Publicado em: A Vida como ela foi

    “Era uma secretária que conheci naquele dia. Cheia de nove-horas e recatos, comportava-se como uma freira”.

    O jornalista então queria saber que diabo de cena fora aquela na noite anterior e como havia terminado o caso. E quem era a mulher? – Pois é. Era uma secretária que conheci naquele dia. Cheia de nove-horas e recatos, comportava-se como uma freira. Mas concordou em sair. Sentamos no bar, um martini para ela, e dei o pontapé inicial na cantada. O sujeito deu um gole no chope, enxugou a espuma com as costas da mão e prosseguiu. – Aí ela veio com uma história estranhíssima. Disse que acabara de se separar do marido, um profissional liberal. Na tentativa de consertar o casamento combinaram uma segunda lua de mel em um hotel de Camboriú, aproveitando um congresso do qual ela participaria. Os apartamentos davam para a piscina; Mais um gole longo de chope. – Ia tudo nos trinques quando deu zebra, contava ela. No encerramento, o tal congresso entrou madrugada adentro. E ela ficou esperando a volta do queridinho. Foi quando viu um jovem se afogando na piscina. Como ela era nadadora, salvou o rapaz. Que tinha engolido muita água e aí ele teve que fazer a respiração boca-a-boca…. sentiu o desfecho? – Senti – disse o jornalista. – Pois justo na hora do boca-a-boca o maridão entrou, achou que ela estava tendo um caso com o rapagão. Injustiça, veja no que dá em fazer o bem, choramingava ela. Fim de casamento. Mais um gole. – Daí que eu fiz o que você viu. Levantei, olhei embaixo das mesas e para todos os lados. “Ué”, disse ela, você procura quem?” Aí foi a minha vez. “Não é pra mim que você está contando essa história, né? Deve ter algum babaca acreditando nessa tua lorota escondido por aí”, falei. Porque tú tá é me tirando pra otário com essa história”. – Bom, até aí eu vi. Vocês saíram, ela uma arara. Não deu jogo? O cara tomou o resto do chope, botou o dinheiro na mesa e foi saindo. – Claro que deu jogo! Fomos diretos para o Motel Coqueiro, no Morro Santa Teresa. Ou você acha que uma dona que inventa uma lorota dessas não está a fim de um combate entre lençóis?

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  • A loira do Plazinha (I)

    Publicado por: • 28 jan • Publicado em: A Vida como ela foi

    “Em mesa próxima, um conhecido garanhão da praça conversava com uma loira espetacular”.

    O Hotel Plaza Porto Alegre, o Plazinha, na rua Senhor dos Passos, prepara-se para comemorar 50 anos em agosto. Em décadas passadas era o top do setor, referência nacional para quem vinha a Porto Alegre. Famoso também era seu bar, então no térreo, depois de se descer uma pequena escada. Discreto, piano, jardim de inverno, servia também para namorar. Mas sem amassos. Aliás, era proibido levar mulheres para o Plazinha. Era o único do Brasil, mas isso já é outra história. No início dos anos 70, um grupo de jornalistas e publicitários molhava lá as palavras no que hoje se chama happy hour. Em mesa próxima, um conhecido garanhão da praça conversava com uma loira espetacular. O cara era conhecido por ser extremamente rápido na ação. Botava o olho e já vinha rachando. Tipo aquele música do Noel Rosa “Como é que você se chama?/Quando é que você me ama?/Quando é que vamos casar?”. Enfim, não fazia prisioneiros e não admitia nhémnhémnhém. De repente, o cara começa a olhar para os lados. Depois se levanta, se agacha e olha em baixo das mesas atrás dele e imediações, como se estivesse procurando algo, olhar desconfiado. E a mulher olhava a cena, perplexa. Ficou assim por algum tempo dando uma geral nas mesas. Voltou à mesa. Minutos depois saíram, ela de cara amarrada, muito amarrada. O que teria havido? No dia seguinte, um dos jornalistas que estava na roda encontrou o Dom Juan no bar Oásis, na subida da Rua da Praia, e perguntou que diabo de cena fora aquela na noite anterior. E quem era a dona. (conclusão amanhã)

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  • O bauru do Lelinho

    Publicado por: • 25 jan • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…pedia o bauru como se estivesse na frente do Chef do Maxim’s”

    O calvário relatado pelo garçom Sadi no “Caso do Dia” faz lembrar o quanto nós dependemos destes profissionais. E das histórias que cercam a categoria. O Bar Pelotense, na rua Riachuelo, contava com alguns folclóricos, como o Hugo, o Elpídio, o Perón, que depois virou taxista. Outro era o João, que acabou dono do pedaço e um dia disse ao caixa que ia ao dentista. Saiu e nunca mais foi visto. Causo é que não falta. O Hugo atendia a Mesa Um do Pelotense. Era sósia do ator Walter Matthau. Igual, sem tirar nem por. Até o jeitão plácido era o mesmo. Para não interromper a libação para almoçar ou jantar, comia-se na mesa, geralmente bauru. Não se perdiam horas-uísque. O Lelinho Di Pietro, que era metido a gourmet, fazia o pedido todos os dias da mesma forma, como se estivesse na frente do Chef do Maxim’s de Paris. – Hugo presta atenção e anota. Quero o meu com pão cervejinha, não com cacetinho. Bota dois bifes de filé, ao ponto… E o Walter Hugo Matthau escrevendo, atento. – … mais para mal que para bem passado. Não carrega muito no sal. A mesma coisa com o ovo. O queijo tem que ser duplo e nada de alface, só uma rodela de tomate gaúcho, não muito maduro, pelo amor de Deus. Bota uma pitadinha de pimenta do reino, certo? Aí o Walter Matthau botava um ponto final com a esferográfica Bic na comanda, se virava para a escada que dava acesso à cozinha, botava as mãos em concha na boca e gritava para a cozinheira, a Fifa: – Salta um bauru!

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  • O Carnaval das tribos

    Publicado por: • 24 jan • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…tribo brasileira, mas com nome de índio norte-americano”

    Interessante. O governo vai distribuir milhões de camisinhas durante o carnaval na suposição que a turma transa mais durante este período. Há controvérsias. Metade do tempo o grosso da população está pulando e na outra metade está de ressaca. Nos entrementes, pode até ser, desde que não estejam podres de bêbados ou cheirados. Carnaval bom era o de antigamente. Especialmente para rir. Nos anos 70, o desfile em Porto Alegre era na avenida João Pessoa. Na terça-feira gorda, desfilavam os campeões de cada categoria – escolas de samba, blocos, tribos. Ah, as tribos! O palanque era armado do outro lado da Redenção, quando Guilherme Villela era prefeito. Tribo era um sarro. Teve um ano em que Os Comanches tinham como tema “Ascensão e Queda do Império Inca”. Tribo brasileira ter nome de índio norte-americano. E parte da letra da música era falado em tupi-guarani. Para completar, o cacique se apresentava de terno e gravata. Um legítimo samba de índio doido. Num destes desfiles, 1977 ou 1978, era apresentador oficial o jornalista Airton “Camelo” Fagundes. Quando a tribo vencedora passou no palanque oficial, o cacique deu um pulo, empurrou Airton para o lado e fez sua saudação, fora do protocolo. Cheio de mé, falou naquele stacatto estereotipado pelos filmes e programas de humor. – Grande-Cacique-agradece-homem branco-honraria-recebida! Mais não disse porque quase desabou lá de cima

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