• A sogra do taxista (I)

    Publicado por: • 11 fev • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…nunca vi essa mulher com vestido curto, decotada, pintada, perfumada”

    Anos 70, auge da invasão dos argentinos no Rio Grande do Sul. Fim de tarde. Um jornalista entra num táxi no ponto da Borges de Medeiros rumo à redação de Zero Hora. Duas hermanas de meia-idade disparam graçolas em cima dele assim que ele entra. – Mira, que guapo! O motorista ri. Baixa a bandeira e segue rumo à avenida Júlio de Castilhos. – Tá com tudo, meu irmão! Uma coroa tem lá seu valor, não tem? O jornalista não estava afim de papo. Mas o taxista, sim. Loquaz como apresentador de programa de auditório, desandou a falar. E começou a contar um caso. Mudou a cara de risonha para séria. – Esse negócio de coroa dando em cima da gente….fiquei pensando na minha sogra. Olha, cara, eu estou casado há 15 anos, moro com meus sogros e nunca vi essa mulher com um vestido curto, decotada, pintada, jóias, perfume, nada. Nem as unhas ela pinta, sabe? E pra feia não serve. Nunca olhou nem para o vizinho, o que dirá dar trela. Não vai a baile, reunião-dançante. Nem em festa da igreja ela vai, imagina. O táxi pára na primeira sinaleira. O trânsito está pesado. – Aí, meu chapa, no domingo passado aconteceu um negócio esquisito. De manhã cedo, ela saiu cedo dizendo que ia visitar uma amiga de infância. Quase caí de costas quando a vi: de vestido curto, floreado, pintada, perfumada… O carro entra na Júlio de Castilhos. Outro sinal fechado. (conclusão amanhã)

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  • Os cornos do trabalhador

    Publicado por: • 8 fev • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…achou que sobrava luz do dia e sugeriu que trabalhasse das 5h às 22h”

    De um ricaço desses de aparecer na lista dos 10 mais da Forbes, conta-se uma história. Contratou um trabalhador e colocou-o a abrir rasgos na terra. Deu-lhe um horário de trabalho das 8h às 17h. Certo dia, observando o trabalho do seu colaborador, achou que podia ser melhor aproveitado. Sugeriu-lhe então o seguinte: – Ó amigo, já que você tem duas mãos, com uma mão você cava e com a outra vai regando. E comece a vir das 7h às 18h. No outro dia, o ricaço olhou outra vez para o seu colaborador e achou-o ainda pouco produtivo. – Já que você além das mãos tem também uma boca, podia enchê-la de sementes e enquanto com uma mão cava e com a outra rega, podia cuspir as sementes. E a partir de agora, começas a trabalhar das 6h às 19h. No outro dia, achou que sobrava luz do dia, portanto sugeriu-lhe que o seu trabalho passasse a ser das 5h até às 22h. E assim foi. Um dia quando o pobre diabo voltava para casa, deparou com a sua mulher com outro homem na cama. O homem, chorou, chorou, chorou vezes sem conta até que a mulher e o amante, desesperados com aquela situação, tentaram consolá-lo (!). Mas não seria choro demais apenas por guampa? – Não é nem tanto por isso. É porque se o patrão descobre que tenho dois cornos, coloca-me lá umas lanternas e põe-me a trabalhar à noite! Moral da história: nada está tão ruim que não possa piorar. (Colaboração de Harry Fockink)

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  • Uma amnésia carnavalesca

    Publicado por: • 7 fev • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…pegou seu Corcel II LDO e se mandou para Montenegro”

    Como já não se fazem mais carnavais como antigamente, também desapareceram os blocos do tipo “o que é que eu vou dizer em casa”, foliões que curtiram o Momo no xadrez. Folião desaparecer de casa para pular carnaval não chega a ser novidade. Bons e sólidos casamentos já foram pro saco por causa dessa compulsão. O diabo é que, depois de algumas biritas, a prudência vai para o beleléu. Mesmo os casados. Principalmente os casados, como foi o caso, nos anos 70, de um jornalista da praça, ainda vivo e atuante. Contam que ele saiu para cobrir o Carnaval para a emissora de TV na qual trabalhava e acabou cobrindo uma foliã, coleguinha de trabalho por sinal. Acordou na quarta-feira de Cinzas, com a cabeça que era um porongo. E agora, tio, qual a desculpa? Matutou, matutou, e fiat lux! Pegou seu Corcel LDO II e se mandou para Montenegro. Estacionou defronte à praça, sentou num banco e esperou passar um casal bem-vestido e com cara de gente séria. Quando o casal passou na frente dele, fez uma cara de confuso e disparou: – Onde estou? Como é meu nome?

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  • A hora do derrame

    Publicado por: • 1 fev • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…um deles começou a ficar pálido e suar frio”

    Um grupo de montenegrinos foi caçar no Uruguai. O risco sempre é grande, porque quem fiscaliza caça e pesca nas terras do companheiro Tabaré Vasques é o Exército. Que não brinca em serviço. O grupo cercou-se de cautelas e foi adentrando o território com todo cuidado, atento a qualquer movimentação estranha. Tudo ia bem, até que um dos caçadores começou a ficar pálido e a suar frio. A turma ficou preocupada, o cara estava que era um boné velho. O que havia? – Estou tendo um derrame – balbuciou o caçador. – Tô mal. Má hora. Puxa, a localidade mais próxima ficava a dezenas de quilômetros e até lá o sujeito podia ir desta para uma melhor. O pior é que ninguém do grupo tinha sequer noções de primeiros socorros. O que se faz quando alguém tem um derrame? No desespero e lembrando do que viram em algum filme, deitaram o doente, afrouxaram a camisa. Foi sugerida respiração boca-a-boca. O forte bafo de cachaça prontamente os fez desistir da idéia. Por via das dúvidas, deram mais um trago para ver se o enfermo pegasse pelo menos uma cor. E não é que o cara começou a melhorar? Ganhou cor, parou de suar e em poucos minutos levantou-se, todo pimpão. Em seguida, todos os paramédicos amadores sentiram um forte cheio de merda. Bueno, dos males o menor. Certamente que foi algum mal-estar momentâneo, não um derrame. – Claro que foi um derrame – garantiu ele. E completou o auto-diagnóstico dando mais uma talagada da mardita. – Derrame intestinal.

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  • As histórias de Collares

    Publicado por: • 31 jan • Publicado em: A Vida como ela foi

    “..para variar, também naquele tempo governador e vice não tinham boas relações”

    Quando era governador, Alceu Collares mandou reformar o banheiro social da ala residencial. A imprensa caiu de pau pelo considerado alto custo. Mania de jornalista. Para a maioria, tendo vaso, pia e um rolo de papel higiênico está tudo nos trinques. Para rebater as críticas, Collares, com aquele seu jeitão, convidou um grupo de jornalistas para ver a obra. Mostrou, explicou e arrematou: “Quando eu sair do Piratini poderão dizer que o negão já foi tarde. Mas jamais poderão falar que eu sou um negão relaxado”. Ganhou o pessoal e nunca mais se falou na reforma. Ele saiu, o banheiro ficou. Reformado. Numa de suas viagens ao exterior, assumiu o vice-governador João Gilberto Lucas Coelho. Para variar, também naquele tempo governador e vice não tinham boas relações. Collares voltou de uma viagem à França um dia depois da abertura da colheita da soja. As capas dos jornais mostravam a foto de Lucas Coelho na clássica foto, montado numa colheitadeira com alguns pés de soja nas mãos. Quando viu as fotos, comentou, azedo: – Fosse comigo, os jornais iriam escrever “Olha o Negão carregando gravetos”.

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