• A coesão…

    Publicado por: • 15 out • Publicado em: Notas

       O comandante do Comando Militar do Sul, General de Exército Antônio Hamilton Martins Mourão, apresentou ontem no Tá na Mesa, da Federasul, um olhar crítico sobre o atual momento, defendendo a necessidade de resgatar a coesão cívica. “A seu ver, não é aceitável que o Estado brasileiro tenha sido partidarizado e burocratizado de tal forma que um grupo chegue ao poder e ocupe todas as funções correlatas. “Assim, temos um caminho aberto para a corrupção”, alertou o General.

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  • …e sua falta

    Publicado por: • 15 out • Publicado em: Notas

       Esse é um dos nossos grandes problemas. Quando mais precisamos de coesão, mais impera a cizânia. Vejam os clubes de futebol, que brigam justo quando o time está na merda, e partidos políticos pequenos. Tenho até a Máxima de Albrecht: quanto menor o partido, maior a briga interna. Cabem numa Towner de cachorro-quente e não se entendem.

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  • Filmes…. cinema e séries

    Publicado por: • 14 out • Publicado em: Artigos

       15-10-15Alguns filmes deveriam fazer parte dos guias de turismo de um país. Leio a ficha de produção que às vezes o Goida me empresta (lembram dele?), até hoje tenho saudades dos seus comentários, dos palpites e correções que ele fazia nos slides shows que eu mostrava no Studio (hoje Clio).

       Quanto aos artistas, invejo numa boa com quem eles se envolvem e o seu plano de milhagem. Os Personagens viajam um bocado nos filmes da série. Mais que os artistas no primeiro, 1996, Praga exibe seus principais pontos turísticos, como a Ponte Carlos e a Cidade Velha. E Londres é mostrada com a Tower Bridge e a Tate Galery.

      Estes filmes influenciam enormemente na escolha dos nossos roteiros, além de mostrar as melhores coisas das cidades, as mostram nas melhores condições de clima, iluminação e até de… romance.

       Se você me perguntar se recebem algum subsídio eu não saberia dizer, mas quem sabe, algum dia, façam uma declaração premiada, aí ficaremos sabendo até os números depois da vírgula.

       Só o que sabemos é que o Woody Allen, há tempos, está tentando fazer um filme no Rio, até o prefeito Eduardo Paes já comentou e ele, o autor, já fez de Roma, Nova York etc. E convenhamos, em termos de cenário, nenhuma bate o Rio. Com a massa cinzenta que ele tem, será um sucesso garantido.

    *Mas é claro, algo faz com que eles não se entendam.
    Enquanto isso, em 2000, o herói foi para a Austrália, destrinchando cenas intensas na Ópera de Sydney e na Harbour Bridge. Na abertura, Hunt quase despenca de um abismo no Deserto de Mojave, isto já nos Estados Unidos. Aliás o país está em Missão Impossível 3 (2006), com takes em Los Angeles e Richmond. No Protocolo Fantasma, disseram-me que o Tom Cruise escala 825 metros de altura do Burj Khalifa, em Dubai.

       Vou tentar vê-lo, pois cinema mostra tão bem os lugares que, às vezes, ao vivo, tornam-se uma decepção. Um exemplo é a Fontana di Trevi que acho belíssima, mas com o olho do Federico e o visual da sueca Anita Ekberg, muito, muito melhor. Além disso, sabemos que era tudo dela e não da indústria petroquímica.

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  • Maracanã dissidente

    Publicado por: • 14 out • Publicado em: Artigos

    O antigo distrito do Durasnal, “no” Alegrete, tem uma peculiaridade marcante: formado por pequenas fazendas onde os habitantes praticam agropecuária competente. Lugar em que a reforma agrária já foi feita  naturalmente, explicada por famílias de muitos filhos e sucessivos inventários.

    Aliás, há uma forte crença entre os proprietários rurais, quando nela entendem que poucos latifúndios aguentam três sucessões, ao fim da última, e raras exceções, os herdeiros serão chacareiros.

    No excelente livro de Heraclides Santa Helena,  pretérito e dito “intendente” de Quarai, “Onze Braças de Campo e Algumas Sobras”, a crônica do mesmo nome exemplifica bem o que foi comentado. Tendo na introdução ilustração melhor ainda, citando ditado que corre nos cerros de Caçapava do Sul:

    “Avô barão, pai patrão, neto pião.”

    Por seu perfil fundiário, Durasnal é um distrito densamente povoado, com atração atávica por política, exercida todo tempo, por tradição, gosto e competência de quem é do ramo. Outra característica local, loquacidade trouxe a eles o apelido de Maracanã, ave da família dos psitacídeos, que anda aos bandos e prima pelo alarido, como igualmente todos seus parentes.

    Em política, atualmente são, na sua maioria, do PP – do Rio Grande do Sul, esclareço – pois deve ser ressaltada a grande diferença com aquele de outros estados, farinha de outro saco, aliás, aqui no Estado,  caso da maioria dos partidos.

    Também antes militaram em partes iguais no PSD, UDN, PL, mais algum gato pingado no PTB. Depois de 1964,  entraram em massa na ARENA e PDS, como os dissidentes no MDB, atual PMDB.

    No Durasnal, decidem-se as eleições “no” Alegrete, se a vantagem dos adversários, nos outros distritos e cidade, não é acima de 1.000 votos, “tá pelada a coruja”, pois a diferença pró PP é imutável. Isso tudo graças à ação político partidária de uma família, cujos atuais chefes, dão prosseguimento à liderança no passado, de um ancestral, Cel.Delfino Antunes da Silva.

    No passado, ele, além de principal chefe “chimango”, também era a única autoridade policial, quando os problemas eram mínimos, pois se trata de um povo ordeiro e trabalhador. Mas, como diz velho ditado campeiro, numa tropa nunca falta um “boi corneta”, era morador local, notável dissidente, Aladim, ladrão militante e juramentado, pior ainda, incorrigível.

    Diga-se a seu favor, fazia força para largar o mau vício, até pela ameaça da polícia, mas não conseguia, quando menos esperava, recaía e era chamado a se explicar pela lei. Por isso, de vez em quando era posto na “tronqueira”, rústica ancestral da cadeia, punição que não adiantava muito, pelas suas repetidas reincidências.

    O Cel. Delfino, que tinha sob as suas ordens só um soldado “por enquanto”, entendendo que esse fato poderia se tornar péssimo exemplo resolveu, a par da prisão, mandar-lhe dar forte corretivo, cada vez que “perdesse a doma”.

    O tempo foi passando e esse tratamento de choque mostrou-se ineficaz, Aladim estava ficando pior, com frequentes prisões, mau exemplo visto por todos. O Cel. Delfino, já cansado disso, na última detenção não usou de meias palavras, quando para assustá-lo, sentenciou secamente:

    – Aladim, não aviso de novo, se não deixares de roubar, na próxima vez que for preso vou mandar te “pelá a chiba”, prá não deixar herança ruim.

    O ameaçado, conhecendo bem o interlocutor e o perigo que corria, tentou parlamentar:

    – Me desculpe Cel., o senhor tem toda razão, reconheço os erros, estou fazendo força, prometo por “esta luz que me alumia”, vou me regenerar.

    O representante da ordem conhecendo bem os “bois com que lavrava”, reforçou a ordem:

    – Está bem, mas é a última vez que aviso e, como sabes, não sou homem de duas palavras.

    Aladim, mais animado pela punição não ser para já, sentindo alguma chance futura, resolveu esmiuçar a ameaça recebida, para melhor cumpri-la:

    – Deixar de roubar eu deixo, cel., o senhor pode acreditar, mas, desculpe, esclareça-me: posso ir deixando “despacito” ou tem que ser de soco? *

    * Este meu causo é antigo, mas atual pelo momento político do Brasil, pois pelo largo tempo que ocorrem desvios de verbas públicas, é até razoável concordar com a primeira parte da indagação do Aladim, em sendo considerada sincera, melhor que nada.

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  • O porco do rio 

    Publicado por: • 14 out • Publicado em: A Vida como ela foi

     As enchentes cíclicas no interior gaúcho geravam causos e mais causos. Na modorra das pequenas comunidades, viravam até matéria-prima para festivais de mentira contadas nos salões de barbeiros, como eram chamadas as barbearias.

      Eu era gurizote e cortava o cabelo no salão do seu Pedro Vianna, em Montenegro. Quem pelava meu coco era o segundo em comando, como diziam os milicos. Não tinha como escapar: os pais mandavam cortar o cabelo tão rente que capava piolho deitado de bruços no couro cabeludo.

     Pois bem. Estava eu sentadinho e quietinho na cadeira quando entrou alguém contando as últimas da enchente do Rio Caí. Como era proibido virar a cabeça para não atrapalhar o ás do corte zero, não deu para ver a cara do dito cujo. Ele contou vários episódios que amigos traziam do interior do município. No final, veio essa:

       – Vocês sabem que a correnteza era tão forte que, na frente do Frigorífico Renner, eu vi uma laje de grés boiando, descendo o rio com um porco vivo montado nela!!!

      Neste momento a máquina de cortar cabelo cortou meu cocuruto. Nem o barbeiro aguentou.

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