Os túneis do Total

6 jul • A Vida como ela foiNenhum comentário em Os túneis do Total

Uma placa comemorativa à mais uma etapa da revitalização de espaços do Centro Cultural do Shopping Total – a recuperação das caldeiras da antiga cervejaria da Brahma – foi descerrada na cantina Famiglia Facin, que fica na entrada de um dos túneis. Esse é um dos orgulhos do chefão do Total, Eduardo Oltramari.

Nesta ocasião o Oltramari fez questão de salientar que eu sou o pai da reabertura dos túneis. Ele sempre tem dito isso quando acontece algum evento relacionado a eles, o que muito me envaidece. A verdade é que fui mesmo.

Deu-se assim. Há coisa de 11 anos, quando o Total ainda estava em reformas, o Oltramari me mostrou os túneis soterrados – para quem não sabe, presume-se que eles tenham cerca de 4Km de extensão – dizendo que não sabia o que fazer com eles. Datavam do início do século XX, supõe-se. Eu disse que talvez desse samba. Na mesma hora liguei para Caio Zanotto, presidente da Vinícola Aurora.

O Caio e eu tínhamos conversado sobre a Aurora abrir uma cave com produtos da Aurora, aquela coisa medieval de archotes etc. Ele achou a ideia sensacional. Na mesma hora liguei para ele, os dois se relincharam, como se diz na Fronteira, o contrato foi fechado.

Só que a Grande Ceifadora entrou em ação. O meu amigo Caio morreu naquele acidente da TAM em Congonhas e seu sucessor não quis ou não soube levar o assunto adiante. Felizmente, a Famiglia Facin achou que poderia. Estão lá, felizes e satisfeitos, casa sempre cheia.

Assim foi. E aproveito para dizer que tem muito túnel a ser reaberto. Um dos braços vai quase até a Ramiro Barcelos e outro ruma ao cais, no Guaíba. Há muitas fantasias sobre a serventia dos túneis, inclusive que seriam rota de fuga. Por mim, aplico a lógica da Lâmina de Occam, um frade da Idade Média: quando o problema é complexo, a explicação é a mais simples.

E a mais simples é: serviam para estocar matéria prima, garrafas de cerveja.

Fernando Albrecht

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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