O salto na Kombi

7 abr • A Vida como ela foiNenhum comentário em O salto na Kombi

Anos 1970. Um artista ligado ao universo tradicionalista procurou o seu amigo delegado da 10ª DP, proximidades do HPS, para relatar o furto da sua Kombi que estava estacionada na rua José Bonifácio.

– Foi o Zé da Kombi – falou um inspetor veterano. – Ele só furta Kombi, é um especialista que usa um macete de abrir as portas sem quebrar vidros nem pé-de-cabra.

O delegado desconhecia esse particular, então foi atrás. Horas depois, prendeu o cara num boteco da Cidade Baixa. O policial e o dono da Kombi queriam que ele mostrasse como conseguia a proeza sem quebrar nada e sem micha. Depois de ser gentilmente convencido que deveria abrir o bico, mostrou sua técnica.

Parecia muito simples. Ele se postava bem na frente do carro e dava um pulo em cima da pequena beirada do para-choque. Ouviu-se um estalo e as duas portas trancadas da Kombi abriram uma frestinha, suficiente para usar um arame e destravar as portas.

O delegado tentou, o dono da Kombi tentou, o inspetor tentou e ninguém conseguiu repetir o macete do Zé da Kombi. Tinha a ver com o peso e posição certas, um sistema de alta tecnologia empírica desenvolvida pelo Zé.

Quem passasse pela rua Jacinto Gomes de manhã e no final da tarde, nas semanas seguintes, via uma cena estranha, várias vezes ao dia: um policial corpulento e alto pulando em cima do para-choque da Kombi da delegacia e depois meneando a cabeça, desolado. “O homem deve ter pirado”, dizia a vizinhança.

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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