O que não mata, engorda  

13 jul • A Vida como ela foiNenhum comentário em O que não mata, engorda  

O programa Mais Você, da Ana Maria Braga, mostrou ontem a imagem de uma mosca grudada a uma comidinha que ela estava preparando. Aquele papagaio falante que a acompanha deu o alerta, mas a apresentadora da Globo disse que era apenas um “queimadinho do fundo”. Nunca vi queimadinho com asas, mas, de repente, esses transgênicos podem fazer milagres. Para disfarçar, Ana Maria ainda lembrou da sua infância. Quando aparecia formiga na comida, as mães diziam que formiga fazia bem para os olhos.

É mesmo, também ouvi muito isso nos meus tempos de piá. Ninguém sabia que formiga se orienta por rastros químicos. Quem comeu em pensão ou internato de colégio sabe o quanto era duro engolir aquele atentado do EI. Eu dava graças a Deus para o fato do feijão ser preto, você não enxergava um monte de restos mortais. Devo ter ingerido quilos de formigas e nem por isso passei a enxergar melhor.

Quando estudei no Colégio São Jacó, em Hamburgo Velho, hoje Feevale, uma peça de carne durava uma semana inteira. Primeiro como bife, depois como guisadinho, a seguir como recheio de bolinho de batata, o osso do bicho ia para a sopa e quando o cozinheiro Romaldo não tinha mais que inventar, botava os caquinhos restante no molho. Nós chamávamos isso de prato Lavoisier, nada se cria e nada se perde, tudo se transforma.

Nos anos duros de estudante (e bancário), grana mais curta que coice de porco anão, a salvação era juntar os últimos trocados e ir no abrigo dos bondes, no entorno do Chalé da Praça XV, para comprar um Mata-Fome. Parecia um tijolo escuro. Era feito dos restos de todos os doces, pães e outras massas que tinham sobrado, às vezes de dias anteriores.

O Mata-Fome salvou minha vida várias vezes. Poucos de vocês tem ideia do que seja dormir com fome e sem grana para o café da manhã.

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