O poliglota

25 mai • A Vida como ela foiNenhum comentário em  O poliglota

   Hoje em dia, em qualquer profissão, você tem que saber inglês. A frase seria comum não fosse ela de Pollyana Temponi, prostituta de Belo Horizonte, proferida antes da última Copa do Mundo, explicando que aprendeu a língua para conversas com clientes-turistas. Ganhou espaço nacional pela declaração. Perguntei-me, na época, qual o motivo do espanto. Sem inglês você não vai longe e, não raro, a lugar nenhum.

   A bem da verdade, no passado se falava bem menos inglês do que agora. Hoje, toda a mídia eletrônica ajuda a difundi-lo, mesmo que sejam apenas expressões do cotidiano. Aí já é a turma do ze buque iz on ze teible, mas graças à globalização e a novos métodos, a aprendizagem de línguas estrangeiras é bem mais fácil. Mas, para muita gente, o inglês é coisa do outro mundo e não tem jeito nem de dizer “yes” sem sotaque.

   No tempo dos bar-chopes de Porto Alegre, frequentei muito o Stylo Bar Drink, na esquina da Independência com Garibaldi, hoje loja Panvel. Um dos frequentadores fixos – dizem que tentou até uma ação de usucapião – era um desses. Certa noite, ele apontou um cartaz de propaganda de cigarro colado na caixa.

   – Alemão, tu que sabe inglês, o que quer dizer “si ainfel”?

  Me virei e quase desmaiei. Estava escrito, em espanhol, “sea infiel”.

  Me taira o tiubo!

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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