O PIB sexual (final)

18 out • A Vida como ela foiNenhum comentário em O PIB sexual (final)

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 O dinheiro sempre chama dinheiro, e a Zona vai onde ele existe. Nos anos 1960, especialmente, cidades ricas tinham uma Zona de respeito. Para ficar em algumas cito Santa Cruz do Sul, por causa da indústria do tabaco, baco e executivos; Rio Grande, por ser porto – teve o famoso Mangache ou Mangacha; Passo Fundo; Uruguaiana, entre tantas outras, tinham a sua zona conhecida além-fronteiras. Curioso que nenhuma cidade da Serra, como Caxias do Sul, já muito rica na época, primava por ter boas casas do ramo. Sempre me disseram que isso se devia pelo pão-durismo dos gringos, mais afeitos a ganhar do que a gastar. Gringo é muito pão-duro, como se sabe. Nas cidades da Região Metropolitana, como Novo Hamburgo e cidades vizinhas, a Zona também nunca foi grandes coisas.

 Em compensação, o Vale dos Sinos massificou os motéis. Portão, Vila Scharlau e São Leopoldo sediavam os mais rebuscados. Havia um em Portão onde um quarto abrigava um elevador que não subia nem descia, para quem fantasiava fazer sexo em um. Imagina a mulher dentro do elevador olhando para o parceiro e falando “Sobe!”.

 Por que fora da cidade? Reduzia a chance de ser visto por conhecidos, amigos ou parentes. Longe o suficiente para diminuir o risco e perto o bastante para que não fosse longa viagem de ida e volta. Ida e Frida, como brincávamos com os nativos do Vale do Sapateiro.

 Houve casos em que marido e mulher tiveram a mesma ideia – separadamente – e acabaram se trombando. Uma das lendas é que um sujeito que foi a um motel viu que, na garagem do lado, estava o carro da sua mulher. Poupo os detalhes da bronca, mas, em resumo, o maridão soube pela mulher que havia emprestado o carro dela para a sogra. Mas que tal essa?

 Para terminar, uma curiosidade. Conheci muitos caras e também muito ouvi falar de conhecidos que se apaixonaram por mulheres da Zona. E sabem a maior? Na maior parte, foram casamentos felizes e duradouros.

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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