O pianista

12 set • A Vida como ela foi1 comentário em O pianista

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Como em todo ano eleitoral sempre aparece alguém querendo proibir a divulgação de pesquisas, que é mais ou menos como tentar armazenar água em uma peneira. Ainda mais com a internet dando sopa. Pois em anos passados elas foram proibidas e o engenho humano conseguia driblar a dura lex. Foi em meados dos anos 1980 que a Justiça Eleitoral baixou essa norma, na eleição para governador do RS.

Na reta final da campanha, um instituto, acho que o Gallup, fez um trabalho que mostrava inversão de posições dos líderes. Eu fazia o Informe Especial da Zero Hora. Meus dedos coçaram mais que xerife à beira de um duelo com o bandido. O Lauro Schirmer chamou eu e o Danilo Ucha, infelizmente já falecido. Qual a saída?

– Eu arriscaria – falou o Ucha. – Não ficou bem claro qual a penalidade.

O Lauro olhou para mim.

– Posso fazer uma metáfora, dessas que não se dá nomes, mas fica claro do que se trata.

Veio o sinal verde. Descrevi uma corrida com retrato falado dos candidatos e os tempos de cada um tipo “o baixinho fez em 36 segundos, o barrigudo em 32 segundos” e assim por diante. E o Ucha resolveu arriscar. Pior, como a casa não queria assumir, o Danilo teria que assinar a matéria – aliás, a pesquisa. E assim foi feito.

A minha nota irritou os juízes, mas não tinha como provar; a pesquisa assinada pelo santanense rendeu-lhe uma visita à Polícia Federal, onde tocou piano na almofada de tinta das digitais. O jurista Paulo Brossard o defendeu, mas era missão impossível – ele teve que tocar piano na almofada que se usa para tirar as impressões digitais.

Por ter assinado uma pesquisa de terceiros.

Imagem: Freepik

One Response to O pianista

  1. SERGIO BORJA disse:

    Homenageei o querido Danilo Ucha em meu novo livro ” A GUERRA DAS MOEDAS E A PARTIDOCRACIA ” . Foi ele, na Gazeta Mercantil, que me permitiu inserir mais de uma dezena de artigoa especificos sobre Guerra das Moedas, naquela década, finais dos anos 90 quando finalmente a expressao foi cunhada titulando um artigo publicado no Jornal do Comércio. Eu não sabia mais esta história do incrivel Ucha e sua relação com o meu querido ex confrade da Academia Rio Grandense de Letras, o inesquecivel Paulo Brossard de Souza Pinto! Abços Albrecht!

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