O Passat iraquiano

30 nov • A Vida como ela foiNenhum comentário em O Passat iraquiano

passat

Na metade dos anos 1970 a VW do Brasil lançou o Passat, um carro que quebrou a mesmice dos motores de baixa potência e refrigerados a ar da marca. Tinha linhas modernas, uma boa dose de cavalos (para a época), veloz e boa aceleração e retomada. Caiu no gosto popular. Por volta de 1975, a frota desses carros na cor bordô era muito grande, como se tivessem faltado tintas de outras cores.

Parênteses: a VW alemã gostava ou ainda gosta de batizar seus carros com nomes de ventos que sopram em regiões como o Saara e países vizinhos e rumam para a Europa, e o Passat era um, daí o Golf (do Golfo Pérsico) entre outros. Fecha.

Estes carros na cor bordô passaram a ser chamados de iraquianos e por uma boa razão. Em um escambo planejado pelo governo, a montadora e a Petrobras, houve uma maciça exportação dos Passat fabricados no Brasil para o Iraque. A contrapartida era a boa vontade do país árabe para com a Petrobras, que era dona de um campo petrolífero chamado Majoon. Foi um mau negócio, o campo ficava em uma região chuvosa, e a quantidade de óleo extraído não compensava o investimento.

 Não só. Quando os automóveis brasileiros chegaram no Iraque, o governo ficou uma arara: a cor bordô não é bem vista por lá. Então, eles tiveram que ser transportados de volta e desovados no mercado brasileiro. E quem os comprou, fez um ótimo negócio. Para suportar as altas temperaturas, o radiador era maior e com refrigeração mais eficiente, e também – por causa das estradas ruins – a suspensão era reforçada.

Que eu lembre, foi a primeira vez e provavelmente a última que ponta de estoque é melhor que o original.

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