O panelaço do mocotó

23 mai • Caso do DiaNenhum comentário em O panelaço do mocotó

Cheleira e duas panelas de ferro sobre fogão montado em bancada de pedra

O caso que passo a narrar mostra como aqui ainda está sólida a cultura da desculpa, e desculpa furada. Fui com um amigo comer um suculento mocotó em casa que até Chef tem. O lugar é fino. O gosto era bom, mas o mocotó estava frio, um pecado mortal. Chamamos o Chef que nos olhou com uma certa pena, como a dizer “pobres ignorantes”. Primeiro, ele quis dizer que não estava, depois veio a primeira pérola.

– É que o prato dos senhores estava frio.

Ao ver o brilho assassino nos nossos olhos, apressou-se a colocar mais calor embaixo da panela. Passado um bom tempo até que o prato estivesse nos trinques, ao sorver a primeira colherada notei que os grãos do feijão branco estavam duros. Fui de novo ao Chef.

– É que o e feijão branco é assim mesmo, ele é duro.

Quase joguei a panela cheia no Chef. Esse sim seria um legítimo panelaço de protesto.

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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