O mistério do chumbo desaparecido

12 jul • A Vida como ela foiNenhum comentário em O mistério do chumbo desaparecido

O coronel Dudu, que nem coronel era, mas ganhou essa fama, foi escolhido para dar um fim ao sumiço de barras de chumbo usadas pelos linotipos, máquinas de escrever monstruosas que usam chumbo derretido para a composição de letras nas gráficas antigas, no caso da gráfica oficial do RS, a Corag. Ninguém conseguia descobrir o furo da bala, e o Dudu era a última esperança dos mocinhos.

O nosso bom coronel, um gordo baixinho e careca, mas com um bigode de gradear bosta, uma espécie de detetive Hercule Poirot abatumado, arranchou no prédio da Corag por um mês. Não viu o furo da bala. Pressionado pela comissão do governo que o escolheu, ele já estava quase desistindo.

O ponto de fusão do chumbo é baixo e os vapores deste metal causam uma doença severa chamada saturnismo. O antídoto usado na época era leite, quem operava as linotipos tinha que tomar dois litros por dia, fornecidos de graça pela gráfica ou pelas empresas jornalísticas. Pois foi bem aí que Dudu foi salvo pelo gongo.

Certo final de expediente, o coronel Dudu passava pela portaria quando viu um funcionário atrapalhado para bater o ponto e, ao mesmo tempo, segurando dois litros de leite em garrafas de vidro usadas na época. Prestimoso, correu e pegou os dois litros para deixar o funcionário com as mãos livres para bater o ponto.

– Nããão!!!

A exclamação saiu da boca do aflito funcionário. Instante depois, Dudu compreendeu. Não conseguiu segurar as garrafas e elas se espatifaram no chão.

No meio do lençol de leite derramado, viam-se duas reluzentes barras de chumbo.

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