O mistério da casa paroquial

23 jun • A Vida como ela foiNenhum comentário em O mistério da casa paroquial

Como em tantas e tantas cidades do interior, Montenegro também teve sua casa paroquial, que o povo chamava de casa dos padres

  Como em tantas e tantas cidades do interior, Montenegro também teve sua casa paroquial, que o povo chamava de casa dos padres. Em essência, era isso mesmo, acrescido de um espaço burocrático para dar atestados de batismo e casamento, coisas assim. E como em tantas e tantas cidades do interior, esta casa paroquial tinha alguns diferenciais.

  Na parte que termina na rua atrás da residência, onde se observam frondosas árvores, havia dois frutos que desapareceram. Creio que extintos foram. Havia um parreiral com grandes cachos de uvas pequenas, por nós chamadas de uvas vinagre, mas que tinham um equilíbrio perfeito entre a acidez e doçura. Eram dulcíssimas. Nunca mais ouvi falar desse tipo de uva. Não sei se as uvas sofreram desvio de função e só as viníferas foram poupadas, ou foram abduzidas por ETS, que as plantaram em seu planeta.

  O outro mistério foi a extinção das bergamotas do céu. Todos conhecem laranjas do céu, mas bergamota do céu, só minha geração teve acesso. Eu sempre tive a impressão de que bergamotas do céu eram bergamotas comuns, mas albinas. Não me perguntem como funciona meu cérebro, mas foi ele quem me deu essa letra de fruta albina.

  De maneiras que, se houver um paraíso, vou pedir ao Síndico que me tragam de volta essas duas frutas dos meus verdes anos.

 Foto: acervo Carlos Wallauer

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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