O lorde do roupão

16 out • A Vida como ela foiNenhum comentário em O lorde do roupão

Entre os vários personagens da Porto Alegre dos anos 1970 e 1980 havia um senhor distinto de meia idade, aparentando ser um nobre desgarrado. Sempre de terno e gravata caprichosos, tinha até um roupão com o anagrama da família.

Na época, integrantes da famosa Mesa Um do Restaurante Dona Maria, na rua José Montaury, iam para a Sauna Guaíba após lauta refeição às sextas-feiras. E sempre o víamos lá com seu roupão inglês. A bem da verdade, não era uma sauna do tipo que vocês estão pensando, era sauna mesmo. O cara parecia um lorde. Era conhecido como Bom Marido. Dizia que era estancieiro forte.

Certo dia, ele sumiu. Alguns meses depois reapareceu com uma história a tiracolo. Contou que conhecera uma bela fazendeira e, depois dos arrufos iniciais, foram morar juntos em um pequeno apartamento na cidade, convicto que a partir dali viveria com o burro na sombra. Para todos os efeitos, ele era um homem de posses. Semanas depois, a ficha caiu.

Estavam os dois jantando e bebendo a última garrafa de vinho bom no apê com poucos móveis, quando a cruel realidade veio à tona. Ela ergueu a taça.

– Me enganei.

Ele também levantou os taça.

– Eu também.

Fortunas, quando são falsas, desaparecem em seguida.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

« »