O limão  

3 fev • A Vida como ela foiNenhum comentário em O limão  

Um grupo de amigos meus adentrou um bar metido a besta em bairro nobre de Porto Alegre. Até figura nas colunas sociais. Começou que o relé do garçom estava colado. Eles pediram chope.

– Não tem, congelou – respondeu o rapaz candidamente.

Só isso já merecia o Guiness. Congelar um barril inteiro de chope é uma proeza e tanto, pelo menos fora do Polo Norte.

– Como é que é?

– É bem isso, congelou.

Eles então decidiram pela long neck.

– E para comer me vê um bauru – conformou-se um.

– Estamos em falta de pão de bauru – respondeu o garçom.

– Então me vê um beirute.

– Estamos em falta do pão de beirute. Pode ser com pão de xis?

Pode, pode, a essa altura podia até botar sola de sapato. Ao fim, chamaram o garçom Flecha Ligeira.

– Vamos querer mais três long necks, e pode fechar a conta.

– Long neck só tem mais duas, pode ser?

Lembra um causo que já contei aqui. Um cunhado, já falecido, que trabalhava na Embrapa de Itabuna, Bahia. Ele e um grupo de colegas gaúchos foram a uma casa onde tinha um luminoso de neón em que se lia Frutos do Mar. Pediram moqueca de camarão. Não tinha. Pata de caranguejo. Não tinha. Qualquer peixe. Não tinha. O que a casa oferece, então?

– Carne de sol.

Pediram destilados. Não tinha uísque, gim, rum, vodka, nada. Estupefatos, os biólogos perguntaram se, pelo menos, tinha caipirinha. O rosto do atendente se iluminou. Sim, claro que tinha.

– Nossa cachaça é de primeira…

O sorriso saiu correndo do seu rosto. Então deu a má notícia.

– Se tivesse limão…

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