O case Paulo Sant’Ana

21 jul • Caso do DiaNenhum comentário em O case Paulo Sant’Ana

 Ninguém permanecia indiferente ao Paulo Sant’Ana. Ele era um case. Desde os tempos em que só falava sobre futebol e seu Grêmio, intuitivamente, Paulo criou uma persona, que só se corporificou no final dos anos 1980 início dos 90. Pablo surgiu dessa dualidade bipolar. Aos poucos, Pablo assumiu Paulo. Pablo geralmente vencia Paulo. Para este, ficava a parte depressiva, Pablo ficava com as glórias do seu grande talento.

 Entre os anos de 1968 e 1969, quando era repórter policial da Zero Hora, então com redação na rua 7 de Setembro, Sant’Ana era inspetor de Polícia. Assim fui apresentado a ele na boate Kon Tiki, na Voluntários da Pátria esquina Garibaldi. Boate da pesada, era centro de informações para repórteres e policiais em alguma investigação. Nem de longe Paulo dava sinais de que algum dia seria Pablo.

 Mas já era um fuçador nato. Fora da Polícia, era apenas um ganha-pão, ele queria mesmo era ser jornalista em todas as plataformas de mídia. Isso aconteceu em 1971, quando a ZH já era do Maurício e do Jayme Sirotsky. A lembrança mais vívida que tenho dele era escrevendo uma coluna no prédio da ZH, na avenida Ipiranga. Mais tarde, saí do jornal, voltei um ano depois, saí e voltei de novo em 1982 quando assumi o Informe Especial, até 1989. Sant’Ana era muito bem informado da parte oculta do iceberg.

 Dávamo-nos bem, dávamo-nos mal, brigávamos e fazíamos as pazes, assim era conviver com um mestre da comunicação. Ele sabia ser generoso como sabia ser irritante. A última vez que falamos foi há coisa de três anos, ele já debilitado, surdo, sentado numa mesa ao fundo da Churrascaria Barranco com o jornalista Carlos Bastos. Eu cruzava a área para pegar meu carro quando ele me chamou. Conversamos um bom tempo, e lá pelas tantas Paulo me pediu desculpas por alguma coisa que tivesse me feito. Tudo bem eu disse, esquece, zero a zero bola ao centro.

 Deixei para contar semana que vem uma divertida história dele que se passou nos tempos da Churrascaria Mosqueteiro, no Estádio Olímpico, e o caso do trem azul que não era azul.

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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