O caderninho do tio Hugo

14 jun • A Vida como ela foiNenhum comentário em O caderninho do tio Hugo

Uma das pegadinhas mais cretinas do meu tempo de guri era perguntar para uma pessoa de mais idade qual era a diferença entre um ventilador parado e um homem cansado. É 30, dizíamos em seguida. Um ventilador parado não venta e um homem cansado se senta. Eu avisei, não avisei? Mas há exemplos piores. Telefonávamos para a farmácia e engrossando e voz fazíamos pergunta se tinha éter aberto, no sentido de a granel. Sim, era a resposta.

– Então fecha, senão evapora!

Olhando com olhos de hoje, acho que merecíamos prisão quase perpétua. Outra besteirada era apertar na campainha das casas, noite alta, e sair correndo. Recordações são como cenas do passado, cujas brumas o vento da memória dissipa. Caso da “venda” do tio Hugo Orth em Montenegro, armazéns também chamados secos & molhados. Um dia, entrou um molecote correndo e fez o pedido.

– Seu Hugo, a mãe pediu dois rolos de papel higiênico!

O dono entregou os rolos e o fedelho saiu correndo. Tio Hugo deu a volta no balcão e botou as mãos em concha para o som alcançar o guri, queria saber dele se era para botar a despesa no caderninho do fiado.

– É para tomar nota?

O moleque gritou de volta.

– Não, é pra limpar o …

Vocês conhecem a palavra.

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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