O brilhante Mendelssohn, chamado de Mozart do século XIX

5 set • ArtigosNenhum comentário em O brilhante Mendelssohn, chamado de Mozart do século XIX

O influente compositor alemão Robert Schumann referia-se a seu amigo, também compositor e igualmente alemão, Felix Mendelssohn, como o Mozart do Século XIX. E não havia exagero algum nessa comparação. Tanto um como outro foram crianças-prodígio, de raro talento, que, desde muito cedo, encantaram as plateias com músicas de sua autoria. Mozart começou a compor com menos de 5 anos e Mendelssohn com 8. Aos 12 anos, já compusera 60 obras.

Mais ainda. Ambos foram irmãos de garotas também talentosas na Música. Nannerl Mozart fascinava os ouvintes tocando teclado com extrema desenvoltura ainda criança e Fanny Mendelssohn é considerada a primeira grande compositora da História. A lhe fazer sombra, somente a esposa de Schumann, Clara Wieck Schumann, outro raro talento também como pianista.

Porém, e sempre há um porém, Mendelssohn nasceu, em Hamburgo, no que se convencionou chamar de berço de ouro, uma família de banqueiros judeus muito rica. Já Mozart, enfrentou sérios problemas pela permanente falta de recursos, até porque gastava o seu dinheiro com apostas em jogo de bilhar. Com o agravante de que era mau jogador. E o pior. Muitos biógrafos culpavam a esposa Constanze pela penúria do casal. Mas o tempo foi recolocando tudo no lugar certo, através de um revisionismo de conceitos e tirando o peso dos seus ombros.

Mendelssohn nunca teve de se preocupar com o próprio sustento e pôde se dedicar por inteiro a aprender tudo sobre suas paixões: a música, a poesia e a pintura. Era comum vê-lo com partituras e papéis em branco, bem como telas, tintas e pincéis embaixo dos braços. Por influência da ascendência judaica, cultivou a cultura universal, dedicando-se até mesmo a outras ciências, como Filosofia.

Em determinado momento, a família renunciou ao Judaísmo e se converteu ao Protestantismo luterano. Por essa razão, adotou o sobrenome Bartholdy, que a identificava como cristã. Não houve traumas para Mendelssohn nessa questão. Afinal, não era circuncidado e nunca foi visto numa sinagoga.

Mas, por ser judeu, enfrentou problemas e forte oposição na Alemanha, especialmente por parte  do antissemita Richard Wagner, igualmente compositor. Mas, como se diz, era contrário até ali, ali… A própria esposa, Cosima Wagner, deixou escrito em seus diários que o marido se opunha a Mendelssohn, mas secretamente o tinha por ídolo  e se mostrava fascinado por sua música.

Sua música efetivamente fascina. A partir do vídeo anexo, os leitores/ouvintes  podem apreciar o primeiro movimento do Octeto para cordas, executado com maestria pela soma de dois quartetos de cordas, o Omega Ensemble, da Austrália, e o alemão Faust Quartett. A apresentação se deu em Sidney, Austrália. As instrumentistas alemãs são todas loiras. A violista de calças, a violinista de traços japoneses  e os dois rapazes formam o quarteto australiano.

Essa é considerada por muitos a mais bela música de câmara composta até hoje, concluída por Mendelssohn aos 16 anos. Ainda desta fase é o Sonho de uma Noite de Verão, que inclui a badalada Marcha Nupcial.

Também imperdíveis são seus dois concertos para piano, outro para violino, seu trio número 1 e a Sinfonia Italiana, além dos numerosos Lieder ohne Worte (Canções sem palavras). Outro mérito dele foi trazer de volta aos palcos e igrejas a música de Johann Sebastian Bach, então relegada a um imerecido ostracismo de 100 anos.
Deixei para este final mais duas coincidências entre Mozart e Mendelssohn. Seus retratos mais fidedignos foram feitos por dois pintores cunhados, um casado com Nannerl e o outro com a Fanny.

Mais uma coincidência entre ambos foi a morte prematura.
Mozart morreu semanas antes de completar 36 anos. Já Mendelssohn faleceu com 38 anos, em novembro de 1847, meses após a morte de Fanny, ocorrida em maio. Felix era muito ligado à irmã, afetivamente, e o evento o deixara bem transtornado.

Uma jornalista americana defende a tese de suicídio para Mendelssohn, por não conseguir convencer sua paixão, a cantora sueca Jenny Lind, já casada, a fugir com ele para os Estados Unidos. A Humanidade adora mexericos e isso é sempre bem explorado.

Cristiano Dartsch

Jornalista aposentado, mas não inativo. Nunca estudou ou cursou Música, do que sente falta, mas gosta demais dos clássicos, especialmente Mozart, Beethoven e Mendelssohn, além dos belcantistas italianos Rossini, Bellini e Donizetti. Também defende que a maior beleza da música como um todo está nas vozes e, entre estas, o destaque é para as divas especialistas em coloraturas, gênero do qual é fã. Pesquisa muito a respeito do assunto e procura divulgar o que acha belo ou interessante. Segundo ele, o retorno é mínimo, “mas o que esperar se o próprio Ministério da Cultura já foi fechado”?

Na foto, uma Mavica, a primeira máquina digital.

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