O azar de Viviane

8 jul • NotasNenhum comentário em O azar de Viviane

Viviane Rodrigues era uma madrinha de bateria de duas escolas de samba de Porto Alegre. Um dia, um candidato a deputado federal patrocinou a sua escola e a convidou para ser sua cabo eleitoral, paga. Como todos os cabos eleitorais, ela aceitou o emprego e a remuneração. Não interessa o que mais estava no pacote, é vida privada dela – se é que tinha. Passa o tempo, e o candidato é pego pelas malhas da lei por ter usado dinheiro advindo de propina.

Viviane nunca ouviu falar da Lava Jato e não tinha a menor ideia de que a grana era mal havida. Assim como centenas ou milhares de cabos eleitorais são contratados para fazer campanhas de milhares de candidatos desde que a política é política. Como ela iria imaginar que, aos olhos dos linchadores, ela seria culpada por ganhar dinheiro batizado? Teria que pedir atestado de bons antecedentes? Por não saber, virou notícia de jornal e foi pré-julgada e condenada. Faltou pouco para que a carregassem para o Madre Pelletier. Sua culpa: suas fotos sambando. Aí tem… Dizem os falsos puritanos, o maldito moralismo pequeno-burguês de araque.

Agora ela sofre o diabo. A vizinhança a xinga, ela certamente custará a arrumar emprego, está arrasada, perdeu a autoestima e amizades por algo que ela não fez. Olha, a nossa capacidade de destruir reputações e tornar a vida de inocentes um inferno em terra é medonha. Não são os juízes têm a caneta, nós jornalistas também a temos, para o bem e para o mal.

No caso de Viviane, alguma dúvida sobre qual?

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